Sindusfarma

2017-11-09

Farmacêutica amplia produção

Veículo: Correio Braziliense

Jornalista: Hamilton Ferrari

O consumo das famílias vem demonstrando sinais de reação e permitindo a ligeira recuperação da atividade econômica, mas os investimentos, que proporcionariam um ritmo mais sustentável de retomada, ainda não deslancharam. Mesmo assim, há empresas que começaram a expandir a produção visando o médio e o longo prazos. É o caso da companhia de produtos farmacêuticos União Química, que investiu R$ 100 milhões na expansão da unidade do Polo Industrial JK, em Santa Maria. A intenção é colocar no mercado produtos estratégicos para exportação e para o mercado doméstico, inclusive para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o presidente da empresa, Fernando de Castro Marques, a intenção é ocupar espaço no mercado hoje dominado por fornecedores estrangeiros, como o de medicamentos para tratamento de hepatites B e C, além de alguns tipos de leucemia. “A expectativa é de que os produtos possam ser vendidos nos mercados brasileiro e internacional no segundo semestre de 2018. Serão contratados mais de 50 funcionários, sendo 40 de nível superior e com grau de especialização”, afirmou. A nova fábrica terá capacidade para produzir até 8 milhões de ampolas por ano.

A iniciativa da empresa foi comemorada pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, que participou de solenidade que marcou a expansão da empresa. “A produção nacional viabiliza menor custo, geração de emprego e oportunidades no país, mas, especialmente, mais acesso da população a medicamentos”, afirmou. Segundo Barros, a fábrica será uma opção para o fornecimento de medicamentos estratégicos para o SUS.

Confiança baixa

A maioria dos empresários, porém, não está totalmente confiante a ponto de expandir os negócios em grande escala. Mesmo assim, os investimentos devem mostrar crescimento como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, depois de três anos de declínio. Segundo Sílvia Matos, coordenadora do Boletim Macro da Fundação Getulio Vargas (FGV), o terceiro trimestre de 2017 deve apresentar um pequeno aumento de 0,4% em comparação com os três meses anteriores.

“Esses investimentos, porém, estão mais associados a gastos das empresas com manutenção de máquinas e ações para aumentar a competitividade, diante da elevada capacidade ociosa. Isso não quer dizer que haja expectativa de grande melhora nos negócios nos próximos anos”, alertou Sílvia.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) captou alta, em agosto, na Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede investimentos a partir da compra de máquinas e do desempenho da construção civil. O indicador elaborado pelo órgão registrou alta de 0,8 ponto em relação a agosto de 2016, a primeira elevação em 13 meses (veja quadro)

De acordo com Leonardo Carvalho, técnico de pesquisa do Ipea, a recuperação vem atrelada, principalmente, ao setor agrícola, diante da supersafra colhida no ano. “O setor iniciou a recuperação antes dos demais, com investimentos em máquinas. Entretanto, outros setores também começam a operar em alta, como o de bens de capital e o de equipamentos de transportes”, apontou.

Tanto é assim que as compras de máquinas e equipamentos devem elevar o investimento do terceiro trimestre. A expectativa de economistas procurados pelo Correio, porém, é de que a construção civil continue com resultados baixos no período, com recuo de 5% em relação aos três meses anteriores. Por isso, a melhora em máquinas e equipamentos não será suficiente para reverter a retração dos investimentos totais na economia, que devem mostrar retração de 3% em 2017.

Um grande fator de incerteza, lembra o economista Flávio Serrano, do Banco Haitong, são as eleições de 2018. “A disputa eleitoral está em aberto. Há muita especulação, o que traz volatilidade e muitas dúvidas sobre quem vai conduzir a economia nos próximos anos”, apontou. “O investimento é uma antecipação do que o empresário enxerga no futuro. Quando não vê, à frente, um dia de sol, e só neblina, ele se retrai”, completou Sílvia.