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2017-11-30

Pesquisa em nanotecnologia avan├ža no Brasil

Veículo: DCI

Jornalista: Rodrigo Petry

Novas tecnologias relacionadas à produção de medicamentos devem ganhar espaço no Brasil, a partir da inauguração, em Guarulhos (SP), do primeiro laboratório de pesquisa em nanotecnologia, em uma parceria entre as companhias Aché e Ferring.

Com investimentos de R$ 7 milhões, alocados em equipamentos e infraestrutura, o Nile - sigla de Nanotechnology Innovation Laboratory Enterprise - busca desenvolver tecnologias disruptivas em diversas áreas, incluindo moléculas como hormônios, peptídeos (aminoácidos), anti-inflamatórios, medicamentos para doenças cardiovasculares e inibidores de bombas de prótons (para problemas gástricos e estomacais). A nanotecnologia é o estudo de partículas em escalas muito reduzidas, inferiores às usadas atualmente.

"Existe um distanciamento entre a pesquisa das universidades e a indústria. Muito do que se pesquisa não chega aos consumidores", disse ao DCI o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Marco Fireman. Segundo ele, o desafio é agregar valor à produção nacional de medicamentos, em vez de produzir apenas a partir de patentes já vencidas - quando o item vira genérico e o preço despenca.

"Queremos sair da 'comoditização' [medicamento] e passar realmente a desenvolver a ciência de uma forma unificada", explicou o diretor de Inovação Incremental do Aché, Edson Bernes. Além dos medicamentos, os estudos vão incluir a aplicação nas indústrias de cosméticos e alimentos.

Injeção

Por meio da parceria, a intenção é desenvolver plataformas tecnológicas que melhorem a disponibilidade dos medicamentos no organismo, como, por exemplo, transformando os princípios ativos aplicados de forma injetável, pela forma oral, mais prática e indolor.

"Essas pesquisas possibilitarão a redução dos efeitos adversos, aumentando a aderência do paciente ao tratamento", completou o diretor do Núcleo de Inovação da Aché, Stephani Saverio. Um dos focos das pesquisas é para o tratamento do diabetes, em que os pacientes precisam aplicar injeções de insulina diariamente. Esse é um mercado de aproximadamente R$ 1 bilhão, em que as empresas buscam tomar a dianteira na oferta.

A Ferring já conta com dez centros de inovação ao redor do mundo, mas este é o primeiro no hemisfério Sul. "A biodiversidade brasileira torna muito atraente o desenvolvimento deste laboratório", ressaltou o vice-predente global de P&D da Ferring, Alan Harris. Já o chefe de inovação da companhia no Brasil, Robert Woolley, destacou que a empresa pretende construir, para o ano que vem, um novo laboratório próprio, para desenvolver produtos no mercado local, sem a necessidade de importação. O investimento ficará na faixa dos R$ 7 milhões.