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2017-12-22

Libbs investe em novo anticoncepcional

Veículo: Valor Econômico

Jornalista: Stella Fontes

Uma das dez maiores indústrias farmacêuticas do país, a Libbs firmou uma parceria com a belga Mithra, especializada em tecnologias voltadas à saúde feminina, para a fabricação e comercialização de um novo anticoncepcional, que poderá mudar de maneira relevante esse mercado. O acordo envolve investimento inicial de € 20 milhões, valor que será investido pelo laboratório brasileiro nas pesquisas clínicas.

Hoje, a farmacêutica brasileira já ocupa posição de liderança no mercado nacional de contraceptivos, com marcas como Iumi, Elani e Elani Ciclo, e reposição hormonal. Juntos, os 12 produtos na área de saúde feminina correspondem à segunda principal linha de negócios da Libbs, atrás de psiquiatria e neurologia, com 28% do faturamento - que em 2017 deve ficar em R$ 1,5 bilhão.

A expectativa é a de que, em alguns anos, o novo anticoncepcional, composto de estetrol e drospirenona, possa ser o mais vendido de seu portfólio. A aposta se justifica pelos resultados já alcançados nos estudos pré-clínicos, que indicaram que esse contraceptivo oral pode revolucionar o mercado. O esterol sintetizado em laboratório, e presente no novo medicamento, é idêntico ao estrogênio produzido pelo corpo humano, reduzindo os riscos associados ao uso de anticoncepcionais combinados.

A principal preocupação de pacientes e médicos em relação aos contraceptivos tradicionais é o risco de tromboembolismo venoso, que poderia chegar perto de zero com o novo produto. "Temos uma expectativa muito grande em relação a esse medicamento", disse ao Valor o presidente da Libbs, Alcebíades de Mendonça Athayde Junior. O executivo, que é também um dos controladores da farmacêutica, pondera que é preciso aguardar os resultados da fase 3 das pesquisas para elencar de forma definitiva os avanços efetivamente alcançados com o produto.

Conforme o laboratório, o estetrol associado à drospirenona oferece alta eficácia contraceptiva com redução de efeitos colaterais e menor aumento de proteínas pró-coagulantes sintetizadas no fígado, que são responsáveis pelo risco de trombose. Os estudos são conduzidos com mais de 3,5 mil mulheres nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Rússia. A expectativa é que a fase 3 dos estudos, que incluirá as brasileiras, seja concluída em 2019, com chegada do medicamento ao mercado no ano seguinte.

Segundo Júnior, por causa do histórico de atenção dedicada à área de saúde da mulher, a Libbs vinha acompanhando os projetos da Mithra, bem como a tendência nesse segmento de redução das doses de hormônio e procura por moléculas que mais se assemelhem às produzidas pelo corpo humano. "Essa nova substância é exatamente igual ao hormônio encontrado no organismo humano", ressaltou.

Apesar dessa evolução, o presidente da Libbs diz que houve um "certo exagero" em relação às informações, sobretudo nas redes sociais, sobre a ocorrência de trombose venosa por mulheres que usam o anticoncepcional combinado. "Há risco, mas ele é menor do que numa gestação ou o associado ao fumo", comparou.

Ainda na área de saúde feminina, a farmacêutica está investindo cerca de US$ 10 milhões no desenvolvimento de um medicamento para tratar pré-eclampsia. Nesse caso, a Libbs tem os direitos de comercialização do produto no país e a expectativa de ser sócia minoritária no projeto junto a um consórcio internacional.

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Veículo: Folha de S.Paulo

Uma terapia alvo contra câncer de mama do tipo HER2 foi aprovada nesta semana para utilização no Brasil. A droga é o primeiro biossimilar do princípio ativo trastuzumabe a ser liberado no país. O medicamento, vendido sob a marca Zedora, atua especificamente sobre as células cancerígenas. O produto é da farmacêutica Libbs.