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2018-03-20

Fresenius compra clínicas de diálise

Veículo: Valor Econômico

Jornalista: Beth Koike

Com a liberação dos investimentos estrangeiros em hospitais e clínicas no Brasil em 2015, a empresa alemã Fresenius decidiu diversificar sua operação no país. O grupo, cujo faturamento global é de € 33,8 bilhões, comprou duas clínicas de diálise e adquiriu a totalidade do capital de 28 estabelecimentos para tratamento de insuficiência renal dos quais era sócio minoritário.

A expansão da operação brasileira vai demandar investimentos de R$ 300 milhões até 2020. Desse total, R$ 200 milhões serão destinados à rede de clínicas e o restante será aplicado na ampliação da capacidade da fábrica de equipamentos e insumos médicos da companhia em Jaguariúna, no interior de São Paulo.

A empresa está no Brasil há cerca de 40 anos, mas atuava exclusivamente na produção e comercialização de equipamentos e insumos médicos, além de prestar serviços de diálise para mais de 100 hospitais. Nesses hospitais, a equipe da Fresenius realiza 120 mil procedimentos por ano. No mundo, o grupo alemão tem 3,2 mil clínicas de diálise que atendem 300 mil pacientes e realizam 45 milhões de tratamentos por ano. Além disso, possui 150 hospitais gerais na Europa e é o maior fabricante de equipamentos e insumos médicos para tratamento de doenças renais.

"Nossa meta é crescer de forma orgânica e via aquisições. No mercado brasileiro, há cerca de 750 clínicas. No demais países, nosso 'market share' é de 40%. Então, nosso mercado potencial é de 350 a 400 clínicas no país", disse Edson Pereira, CEO da Fresenius Medical Care Brasil. O mercado para tratamento de doenças renais movimenta cerca de R$ 5 bilhões e operação brasileira fatura cerca de R$ 700 milhões por ano.

As duas clínicas adquiridas, em janeiro e fevereiro, são a Medservi e a UDT (Unidade de Diálise de Transplante) que atendem, juntas, 550 pacientes por mês e ficam em São Paulo. As outras clínicas que tiveram o controle do capital adquirido pela empresa alemã também operam com outras marcas e a expectativa é que até o fim do próximo ano todas as 30 unidades estejam operando sob a bandeira Fresenius Medical Care. Atualmente, três clínicas de São Paulo já operam sob essa marca.

Além do sinal verde para a participação do capital estrangeiro em serviços de saúde no Brasil, outro fator que motivou a empresa a investir mais no país é o envelhecimento da população, o que acaba demandando mais procedimentos como diálise.

Questionado se pretende prestar serviços na área pública, que responde por cerca de 80% do mercado de diálise no Brasil, o executivo disse que não está nos planos da companhia devido à defasagem na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). "O Brasil é o quinto maior mercado de diálise, mas os repasses do governo são muito baixos, cerca de € 50 [por procedimento]. Em países vizinhos como Argentina, Chile e Uruguai, os governos pagam de € 110 a € 170."