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2018-05-04

Expectativa média de vida é de 20 anos a menos no Capão Redondo e Grajaú comparada a Alto de Pinheiros

Fonte: AstraZeneca

Jovens das comunidades do Capão Redondo e Grajaú vivem em dois dos distritos com maior índice de vulnerabilidade social na capital paulista, o que impacta diretamente no acesso a direitos como habitação, educação, trabalho, lazer, esporte e cultura. Cerca de 43% da população do bairro do Grajaú encontra-se em uma situação de vulnerabilidade alta ou muito alta, e no Capão Redondo, o índice é de 27,9%. Em outra perspectiva, a média da cidade de São Paulo ficou em 8,9%.
 
Os dados foram reunidos de diferentes fontes para o estudo de contexto realizado pela equipe do Programa Adolescente Saudável (PAS), que mapeou as características sociodemográficas dos dois distritos e também identificou, por meio de entrevistas, os principais problemas enfrentados pelos jovens na região que impactam negativamente na capacidade de realizarem escolhas e adotarem melhores hábitos sobre sua própria saúde.
 
Com a intenção de mudar esse cenário, a AstraZeneca e a Plan International Brasil estão implementando o “Programa Adolescente Saudável” na cidade de São Paulo. O projeto visa sensibilizá-los sobre os comportamentos de risco para as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), para que desenvolvam hábitos saudáveis, de modo a prevenir o desenvolvimento destas na vida adulta. Entre as temáticas abordadas estão o tabagismo, uso nocivo do álcool, sedentarismo, alimentação não-saudável e doenças sexualmente transmissíveis.
 
Índices alarmantes
Os dados indicam, por exemplo, que os dois bairros possuem altos índices de mães adolescentes, em sua maioria negras. Em 2016, 14% do total de nascidos vivos no Capão Redondo foram de mães com 19 anos de idade ou menos. No Grajaú, o percentual foi de 15,41%, de um total de 1.052 casos. Os dados também mostram que 17% das mães moradoras do Capão Redondo e 22% das mães do Grajaú não realizaram acompanhamento pré-natal em 2016, o que mostra a insuficiência dos serviços de saúde e a deficiência de acesso à informação na região.
 
Os índices da região com relação ao acesso à educação também são preocupantes. Cerca de 6,8% dos alunos do Capão Redondo e 6,5% do Grajaú deixaram o ensino médio em 2011. No mesmo ano, apenas 0,3% dos alunos abandonaram o ensino médio no bairro do Alto de Pinheiros, área nobre da capital paulista. Com relação à reprovação, Capão Redondo e Grajaú também contam com taxas significativamente mais altas, de 20,1% e 23,9%, respectivamente, em relação à Pinheiros, com apenas 2%.
 
Ação precoce contra as DCNTs
Para Jorge Mazzei, Diretor Executivo de Relações Corporativas, Regulatório e Acesso ao Mercado da AstraZeneca Brasil, a implementação do PAS em São Paulo é um marco para a mobilização em torno de questões fundamentais de saúde que afetam os jovens na cidade. “Um dos principais valores da AstraZeneca diz: Fazemos a Coisa Certa. Por isso, entendemos que o certo é possibilitar que nossos jovens tenham mais saúde e assim, tenham a oportunidade de desenvolver plenamente seu potencial no futuro. Dessa forma, poderemos impactar positivamente as comunidades em nosso entorno e contribuir para a redução das disparidades em São Paulo”, afirmou o executivo.
 
As ações em São Paulo serão implementadas até o ano de 2020 e a previsão é a de que mais de 40 mil jovens sejam beneficiados diretamente por meio das atividades, focadas no empoderamento dos jovens para adoção de hábitos saudáveis, mobilização da comunidade por meio de relacionamento com líderes comunitários, professores e pais, fortalecimento dos serviços de saúde, e estabelecimento de parcerias para influenciar políticas públicas nas questões centrais de saúde e gênero para adolescentes, contando com o protagonismo dos adolescentes formados nessas ações. Ao todo, o PAS pretende beneficiar cerca de 700 mil pessoas, indiretamente, com 1 milhão de pessoas impactadas durante todo o projeto.
 
“Envolveremos o Grajaú e Capão Redondo em uma rede de conscientização e ação, focando em fortalecer a qualidade, prestação de serviços de saúde e o empoderamento dos jovens para o cuidado em relação à própria saúde, bem como a de seus pares”, relata Cynthia Betti, Diretora Executiva da Organização Não Governamental.
 
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 49% das mortes por doenças crônicas não-transmissíveis no Brasil ocorrem antes dos 70 anos². Além disso, as DCNTs representam 19,4% das mortes em pessoas com idades entre 30 e 70 anos no país³. Dados da OMS mostram ainda que jovens que crescem em comunidades economicamente empobrecidas, vivendo com maior sensação de vulnerabilidade e menos capital social, estão mais predispostos a complicações de saúde como a hipertensão, diabetes, fumo, uso indiscriminado do álcool e a comportamentos sexuais de risco.
 
PAS EM NÚMEROS
3 anos de duração
40 mil adolescentes e jovens com acesso a informação
200 adolescentes capacitados como educadores pares
700 mil pessoas impactadas indiretamente
1 milhão de interações totais
 
DADOS – GRAJAÚ E CAPÃO REDONDO*
Distritos mais populosos1º Grajaú – 381.277 habitantes
4° Capão Redondo – 288.252 habitantes
 
População de AdolescentesGrajaú
61.416 jovens entre 10 e 19 anos
30.259 mulheres – 7,9%
31.157 homens – 8,2%
 
Capão Redondo
43.562 jovens entre 10 e 19 anos
21.637 mulheres – 7,5%
21.925 homens – 7,6%
 
Reprovação no ensino médioGrajaú – 23,9%
Capão Redondo – 20,1%
Alto de Pinheiros – 2%
 
Renda Per Capita (SEADE 2010)Capão Redondo – R$ 541,48
Grajaú – R$ 450,70
Alto de Pinheiros – R$ 3.984,34
 
Empregos Formais – jovens entre 18 e 24 anos (INFOCIDADES 2014)Grajaú – 3.344
Capão Redondo – 4.639
Alto de Pinheiros – 98.658
 
Gravidez na Adolescência – mães com 19 anos ou menosGrajaú – 15,22%
Capão Redondo – 14,22%