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2018-05-29

Executivo de Valor: Theo van der Loo vence na categoria Química e Petroquímica

Veículo: Valor Econômico

O presidente da Bayer, Theo Van Der Loo, foi premiado, pelo segundo ano consecutivo, como o melhor executivo da categoria Indústria Química e Petroquímica pelo anuário Executivo de Valor 2018, publicado pelo Valor Econômico. A cerimônia de premiação, em 25 categorias, aconteceu na noite de segunda-feira (28).
 
Artur Grynbaum, presidente do Boticário, foi escolhido o melhor executivo na categoria Indústria Farmacêutica e Cosméticos.

Liberdade para não discriminar

Jornalista: João Luiz Rosa

A  vida de Theo van der Loo é pontilhada por delicadas referências cinematográficas. O presidente da Bayer no Brasil é filho de holandeses, mas nasceu na cidade de São Paulo. Os pais deixaram a Europa depois de serem duramente marcados pela II Guerra Mundial. Em 1942, seu pai trabalhava em uma empresa na Indonésia quando o Japão invadiu o país. “Famílias foram separadas e os holandeses, capturados”, conta o executivo. Durante três anos, seu pai teve de cumprir um a rotina de trabalhos forçados na construção da Ferrovia da Morte, na Tailândia, na qual morreram 16 mil prisioneiros de guerra, incluindo quase 2,5 mil holandeses. A história é narrada em “A Ponte do Rio Kwai" (1957), com William Holden e Alec Guinness. “Meu pai nunca falava sobre o assunto, até que um dia perguntei se ele pensava na guerra”, conta. “Ele respondeu: não há nenhum dia em que eu não pense nisso."
 
O sofrimento paterno ajudou o executivo a tomar uma atitude que causou rebuliço no ano passado. Foi depois de um amigo afrodescendente, que estava desempregado, contar que um recrutador lhe dissera que “não entrevistava negros”. Inconformado, Van der Loo narrou a história no Linkedln, a rede social de contatos profissionais. Só nas primeiras duas semanas, a postagem foi vista por 500 mil pessoas e recebeu mais de 1,5 mil comentários, a maioria de apoio. “Meu pai sofreu três anos; os africanos foram escravizados por séculos. É uma dívida histórica que se perpetua", afirma.
 
Na Bayer, Van der Loo tem se empenhado em reduziras diferenças, o que inclui reforçar comitês destinados a funcionários LGBT, mulheres, deficientes físicos e afrodescendentes. Neste último caso, a proporção, que era de 16% em 2014, subiu para 2\% em relação ao total de 4,5 mil empregados. Para o grupo LGBT, foi criado “o dia de sair do armário”, para quem quiser falar sobre sua orientação sexual.
 
A Bayer tem um enorme desafio organizacional pela frente. Em setembro de 2016, a companhia alemã anunciou a compra da americana Monsanto, de sementes, por US$ 66 bilhões. Desde então, vem adotando medidas para obter a aprovação de autoridades antitruste. Já obteve sinal verde na Europa, na China e no Brasil, entre outros mercados. Faltam os Estados Unidos, mas a expectativa é que a aprovação saia até o fim do trimestre.

O agronegócio tornou-se um negócio central para a Bayer, o que vem exigindo uma atualização constante de Van der Loo, que fez carreira na indústria farmacêutica. Em 2011, depois de assumir a presidência da Bayer, encomendou uma pesquisa que revelou que os mais jovens não conheciam bem a companhia, nem o famoso slogan “Se é Bayer, é bom", criado há quase 100 anos.
 
Cabe aqui outra referência cinematográfica. No filme “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), passado nos anos 40, o personagem alemão Johann usa o slogan para vender aspirina, da Bayer, pelo sertão nordestino, onde encontra o matuto Ranulpho. Os dois se tornam amigos, mas acabam separados. O alemão foge para a Amazônia para escapar à ordem de voltar à Europa e lutar pelos nazistas na guerra - a mesma que trouxe os pais de Van der Loo ao Brasil.