Sindusfarma

2018-08-21

Valor 1000: Blau é a campeã da categoria Farmacêutica e Cosméticos

Veículo: Valor Econômico – Anuário Valor 1000

O anuário Valor 1000 divulgou o ranking das 10 empresas com melhor desempenho na categoria “Farmacêutica e Cosméticos”. A Blau é a campeã, seguida por Cristália (2º), Hypera (3º), Cálamo (4º) e Genzyme (5º).
 

 


Blau: Os benefícios da longevidade
Jornalista: Marcus Lopes
Apesar da situação econômica difícil do país, a indústria farmacêutica continua em expansão e apresenta boas perspectivas para os próximos anos. Um dos motivos para o crescimento é o aumento da longevidade da população. A opinião é do empresário Marcelo Hahn, fundador e CEO da Blau Farmacêutica, empresa vencedora do ranking Valor 1000 no setor Farmacêutica e Cosméticos.
 
A companhia, com sede em Cotia, na Grande São Paulo, conquistou 48,5 pontos na classificação final, de acordo com os oito critérios analisados para a composição do ranking. Em seguida vieram o Grupo Cristália (vice-campeão, com pontuação de 44,5) e Hypera Pharma (42 pontos). A média das dez primeiras colocadas no setor foi de 35,5 pontos.
 
Com média de crescimento anual de 28,7%, entre 2014 e 2017, a receita líquida registrada pela Blau Farmacêutica no ano passado atingiu RS 617,7 milhões. A rentabilidade (lucro líquido sobre patrimônio líquido) foi de 74,5%, ante a média setorial de 17,9%. A margem Ebitda sobre receita líquida chegou a 28% (a média setorial foi de 19,5%).
 
“O acesso à medicina, hoje, é maior do que há duas décadas e o número de pessoas com mais de 60 anos avança. Esse grupo consome quatro vezes mais medicamentos do que jovens de até 19 anos. É preciso estar preparado para crescer", afirma Hahn, que fundou a Blau em 1987. Na época, ele tinha apenas 19 anos, mas já corria nas veias o espírito empreendedor e a familiaridade com o ramo farmacêutico. O bisavô e o avô eram químicos e donos de laboratórios, assim como seu pai, Rodolfo, que foi dono da Ariston, indústria que produzia medicamentos tradicionais, como anti-inflamatórios, analgésicos, antitérmicos e cortisonas. "Brinco que tenho isso nos meus cromossomos", diz Hahn.
 
Ao retornar ao Brasil após uma temporada nos Estados Unidos, o empresário vendeu seu automóvel pelo equivalente a USS 20 mil e investiu o dinheiro em uma importadora de preservativos, a Blausiegel. Na época, o mundo vivia com muito medo da epidemia de aids e faltavam camisinhas no Brasil. Ele fundou uma marca própria, a Preserv, que integra o portfolio do grupo até hoje, e o negócio cresceu rapidamente.
 
Em 1991, a Blausiegel participou de uma licitação pública para a venda de medicamentos importados. Ele ganhou, mas não levou, pois a compra foi cancelada pelo poder público. Com uma grande quantidade de hemoderivados em estoque, visitou vários hospitais privados para vender os medicamentos, com sucesso. Foi sua entrada definitiva no ramo farmacêutico. Elaborou uma lista de medicamentos importados e começou a trabalhar com um rígido controle de qualidade e armazenagem dos estoques das mercadorias importadas, além de traçar estratégias eficientes de distribuição dos produtos.
 
“Sempre apostei em nichos de mercado em áreas como oncologia, nefrologia, hematologia e infectologia”, explica Hahn, que também adotou como estratégia a venda para clientes específicos públicos e privados, como clínicas e hospitais. “Nunca quis disputar o mercado de varejo, com venda para redes de farmácias." Em 1995, transformou a importadora em uma indústria farmacêutica com produção própria. “Fomos uma das primeiras fábricas nacionais dedicadas a medicamentos na área de oncologia”.
 
Atualmente, a Blau Farmacêutica é uma das principais empresas da América Latina no segmento institucional hospitalar. Com capital 100% nacional, o complexo industrial na Grande São Paulo é composto por quatro plantas dedicadas à produção de medicamentos biológicos, biotecnológicos, oncológicos, antibióticos, injetáveis, anestésicos e insumos biofármacos, em um total de 297 produtos registrados. O grupo possui subsidiárias no Uruguai, Colômbia, Argentina, Peru e Chile. O público-alvo é formado por hospitais, clínicas e instituições dos segmentos oncologia e nefrologia, nos setores privado e público.
 
“A Blau sempre acreditou no Brasil e, independentemente dos desafios econômicos e políticos, permaneceu investindo no desenvolvimento de novos produtos, capacidade produtiva, novas tecnologias e melhoria de processos e produtividade, além de capital humano", afirma Hahn. “O mercado em que atuamos apresenta um contexto robusto, altamente regulado, dinâmico e competitivo. Nossa capacidade de entender as mudanças e a agilidade de tomar decisões estratégicas nos impulsiona a bons resultados”, diz o empresário, que também é fã de corridas de stock car, e a empresa é patrocinadora de uma equipe, a Blau Motorsport. “O automobilismo faz parte da história da Blau. A marca esteve presente em diversas categorias importantes do país."
 
As dificuldades no dia a dia, porém, não são pequenas. As regulações da área impostas pelos órgãos públicos são um desafio constante. “Estar à frente de uma indústria farmacêutica é lidar com legislação e burocracia diariamente. A regulamentação no Brasil é complexa em termos de garantia e qualidade. Estas exigências aumentam todos os anos”, diz Hahn. Ele defende a libertação de algumas amarras do setor que impedem o avanço da produção de medicamentos. “Há necessidade de rever regulamentações que são uma barreira ã pesquisa e ao desenvolvimento de novas drogas e lançamento de produtos”.
 
Segundo Hahn, apesar de sofrer menos do que em outros setores, o ramo farmacêutico também sente os impactos da crise. “A crise econômica afeta a todos, mas a indústria farmacêutica sofre menos por causa do envelhecimento aceleradora população e, consequentemente, o aumento das doenças crônicas”, diz o CEO da Blau, lembrando que o empresariado brasileiro teve de aprendera lidar com as adversidades políticas e econômicas no decorrer das décadas. Ele afirma que, ao longo de 30 anos, a Blau passou por diversos períodos de crise no país, como impeachments e crises econô icas. “Aprendemos a lidar com adversidades sem perdermos o foco. No último ano, mesmo com todas as dificuldades, crescemos 43,3%”.
 
Em 2017, a Blau Farmacêutica começou o processo de abertura de capital, com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e tentativa de lançamento do IPO - oferta inicial de ações na bolsa. O processo, porém, ainda não decolou. “Decidimos manter a empresa registrada na CVM e vamos avaliar o andamento da economia e como será o novo governo após as eleições, para pensarmos em ofertar novamente as ações”, diz Hahn. “Mas não estamos parados. Independentemente do IPO, continuamos desenvolvendo nossos projetos por conta própria. Recentemente emitimos debêntures, que estão financiando os investimentos necessários ao nosso plano de crescimento."

Cristália e Hypera: Foco maior em inovação
Jornalista: Marcus Lopes 
O envelhecimento gradual da população brasileira e os grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) devem garantir a sustentabilidade e expansão do mercado farmacêutico nacional nos próximos a nos. Vice-campeão no setor Farmacêutica e Cosméticos do ranking Valor 1000, o Laboratório Cristália reinveste cerca de 90% do lucro obtido no crescimento da própria empresa, em projetos de pesquisa, inovação, ampliação e melhoria das instalações em suas unidades localizadas na Grande São Paulo e Itapira (SP).
 
“Nosso grande desafio é manter um portfólio atualizado e moderno, por isso definimos há tempos que apenas 10% do nosso lucro será distribuído aos acionistas. O restante é reinvestido na companhia para melhorarmos cada vez mais", explica o fundador e presidente do Cristália, Ogari de Castro Pacheco. Fundado em 1972, em Itapira, o Grupo Cristália possui atualmente5,2 mil colaboradores e cerca de 200 medicamentos. O faturamento em 2017 foi de RS 1,9 bilhão. Para este ano, a projeção de crescimento é de 12%.
 
Desde 2009 já foram investidos mais de R$ 756 miIhões em novas instalações e produtos do complexo industrial farmacêutico, farmoquímico, biotecnológico e de pesquisa. O resultado é que o Cristália produz atualmente 53% dos princípios ativos que utiliza em seus produtos, média superior à de outros laboratórios. “Isso nos protege muito das oscilações do mercado internacional e da variação do dólar”, explica Pacheco.
 
No segundo semestre deste ano está prevista a inauguração da Farmoquímica Oncológica do Cristália. A nova unidade, onde foram investidos mais de RS 150 milhões em estrutura física e equipamentos de última geração, vai produzir insumos farmacêuticos ativos para remédios de combate ao câncer. Atualmente, o país importa 100% da matéria-prima utilizada em medicamentos para câncer.
 
Terceira colocada no setor Farmacêutica e Cosméticos, a Hypera Pharma destina 5% da sua receita líquida para pesquisas e desenvolvimento de novos produtos. Recentemente, a empresa, que teve receita líquida de RS 3,6 bilhões no ano passado (12,7% de crescimento em relação ao ano anterior), inaugurou um centro de inovação de ponta, o Hynova, em Barueri (SP).
 
“O setor farmacêutico é bastante resiliente, pois tem forte correlação com o ritmo de envelheci mento da população brasileira. Portanto, é menos afetado do que outros setores da economia", afirma o CFO da Hypera Pharma, Breno Oliveira. Fundada em 2001 e com sede em São Paulo (SP), a gigante dos medicamentos atua em diversos ramos, como genéricos, similares, cuidados básicos e isentos de prescrição, como Benegrip, Apracur, Engov, Coristina D e Estomazil, entre outras marcas conhecidas do público. “Chegamos a mais de 80% dos lares no Brasil."
 
“Nosso sucesso resulta de uma combinação de investimentos em nossas operações, marcas, talentos e, cada vez mais, em inovação", afirma Oliveira, sobre os bons resultados operacionais obtidos pela Hypera no ano passado.
 
Segundo ele, em 2017 foi completado o processo de transformação da antiga Hypermarcas em uma empresa focada no mercado farmacêutico, o que permite melhor alocação de recursos. “Fechamos o ano com sólida posição de caixa líquido, que, combinado à nossa geração de caixa, permitiu reinvestirmos em nosso crescimento orgânico ao mesmo tempo em que distribuímos mais dividendos aos nossos acionistas”, diz Oliveira.