Sindusfarma

2018-10-30

IndĂșstria pede ao presidente eleito reformas e garantia de benefĂ­cios

Veiculo: O Globo

Jornalista: João Sorima Neto

Confirmada a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência, representantes do setor produtivo já cobram urgência do novo governo para que reformas consideradas essenciais para a retomada do crescimento, como a da Previdência e a tributária, sejam aprovadas o mais rapidamente possível. Na pauta da indústria, também há pedidos de benefícios específicos, como uma política de preços livres para a área de medicamentos, que incentive o investimento em inovação.

O setor químico, por exemplo, defende o fim do subsídio à energia, que encarece o preço final para empresas e consumidores, além de reduzir a competitividade. A expectativa é que o presidente eleito e sua equipe agendem conversas com os diferentes setores da indústria a partir de novembro.

- Atualmente, 40% dos custos da energia são tributos. É preciso acabar com esses subsídios porque isso tira competitividade do setor - diz Fernando Pimentel, presidente-executivo da Abiquim, entidade que representa a indústria química, lembrando que o gás usado pela indústria custa três vezes mais do que o americano, o que impacta no custo dos produtos.

Outro calcanhar de aquiles do setor é a infraestrutura, diz Pimentel. Para ele, é preciso incentivar investimentos em ferrovias para transporte de produtos químicos, assim como aumentar os atracadouros nos portos, reduzindo a dependências da rodovias.

A indústria química entregou um pacote com 73 propostas de curto, médio e longo prazos à equipe econômica de Bolsonaro que, se adotadas, podem criar 225,2 mil empregos e aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) do setor em US$ 231,2 bilhões até 2030.

Dez entidades do setor farmacêutico assinaram documento alertando ao novo presidente que a saúde é um dos maiores e mais urgentes desafios. As entidades apontam como questões fundamentais mais acesso aos tratamentos disponíveis e mais proximidade entre universidades, iniciativa privada e governo. Para isso, reivindicam mais recursos para pesquisas, carga tributária menor e mais agilidade em órgãos reguladores como a Anvisa e o INPI, responsável pela aprovação de patentes.

- Essas agências precisam ser despolitizadas, ter pessoas com formação técnica, para que os processos andem mais rápido - diz Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma, que representa a indústria farmacêutica.

Um dos pontos considerados chaves para aumentar o investimento em pesquisa, e atrair cientistas e pesquisadores que deixaram o país nos últimos anos, é a liberação de preços do setor. Atualmente, os medicamentos são reajustados uma vez por ano, por determinação do governo federal. Para Mussolini, hoje já existe competição suficiente para que o setor se autorregule.

- É uma forma de incentivar o investimento em pesquisa. Uma política de preços livre premia a inovação. Hoje, há categoria de produtos que são reajustas abaixo da inflação. Não incentiva a busca por novas tecnologias. Essa mudança criaria empregos de qualidade a trairia pesquisadores que deixaram o país - diz Mussolini.

O setor têxtil defende a internacionalização do setor através de grandes acordos internacionais. Para Fernando Pimentel, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) essa é uma ação de governo importante para que o país ganhe novos mercados.

Ele observa que o Mercosul, o acordo comercial enter Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai precisa ser equacionado. Trata-se de um acordo internacional importante para o Brasil, que vende 25% de seus produtos têxteis e confecções para a Argentina.

- O Mercosul é prioritário, mas precisa ser revitalizado. É o nosso principal mercado. O Mercosul ficou 'encimesmado' nos últimos anos. Mas com novos acordos, como o negociado entre Brasil e Chile, pode servir de parâmetro para o Mercosul - disse Pimentel.

Para isso, ele defende a manutenção do Ministério da Indústria e Comércio (Mdic) e sugere uma agenda de competitividade que beneficie diversos setores. Segundo Pimentel, hoje o chamado custo Brasil tira R$ 64 bilhões do faturamento das empresas. Reduzindo esse montante à metade, a indústrias teria pelo menos R$ 30 bilhões a mais para investimento e melhoria de salários.

SETOR FINANCEIRO TAMBÉM COBRA REFORMAS

O setor financeiro também pede celeridade nas reformas estruturais consideradas essenciais para a retomada do crescimento. Entre os bancos, o Bradesco divulgou nota assinada por seu presidente, Octavio de Lazari Junior, e pelo presidente do Conselho de Administração, Luiz Carlos Trabuco Cappi, ainda no domingo, na qual afirmam que a eleição abre "espaço para um novo ciclo de reformas estruturais no sentido de modernização do Brasil".

"A magnitude das tarefas que temos à frente recomenda sentido de urgência na adoção de ações e medidas que nos direcionem para uma vigorosa e sustentada retomada do crescimento", afirmou Trabuco.

Já Lazari Junior disse que esta foi uma eleição diferente das anteriores. Uma das razões, afirmou, é que ela aconteceu na saída de uma das mais graves crises econômicas já vividas pelo Brasil.

"Nós nos sentimos revigorados para dar início a um novo ciclo de reformas estruturais no sentido da modernização do Brasil. Nós, da iniciativa privada, queremos oportunidades para trabalhar, investir e criar empregos", completou ele.

Em nota, o Itaú Unibanco afirma que, encerrado o processo eleitoral, é hora de unir a sociedade em torno de objetivos comuns, "que visem à superação dos desafios que o Brasil enfrenta em diferentes esferas".

O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, disse em nota que é preciso trazer o Brasil rápido para o século XXI e abandonar dinâmicas doutrinárias do século passado. "O Brasil tem pressa, e mais ainda aqueles que precisam e merecem ter oportunidades".

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) se colocou à disposição para colaborar com o novo governo na promoção do desenvolvimento econômico e social do Brasil.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) defende que é hora de juntar forças para que o país avance em direção às conquistas socioeconômicas e o mercado e capitais pode contribuir. Em nota, afirmou estar "de portas abertas para discutir, com seriedade e transparência, medidas que possam acelerar a expansão do PIB, aumentar a geração de empregos e incrementar os investimentos."