Sindusfarma

2018-12-10

Dr. Reddy's planeja triplicar vendas no Brasil até 2020

Veículo: Valor Econômico

Jornalista: Stella Fontes

Uma das maiores farmacêuticas da Índia e participante de destaque no mercado global de medicamentos genéricos, a Dr. Reddy's alçou voo solo no mercado brasileiro após anos de atuação via parceria com a GlaxoSmithKline (GSK) e se prepara para um novo salto no país. A meta é levar a empresa à liderança em genéricos para tratamento do câncer, replicando a posição ocupada hoje globalmente, e no ano fiscal de 2019, que se encerra em março, quadruplicar o tamanho da operação local, com faturamento próximo a R$ 100 milhões. Em 2020, o objetivo é superar vendas de R$ 300 milhões.

Para alcançar essas posições, a farmacêutica quer ampliar as vendas de genéricos de alta complexidade nos mercados privado e governamental, a preços inferiores aos de referência em compras públicas ou aos de um eventual tratamento concorrente. Os primeiros lançamentos chegaram ao Brasil em 2017 e hoje o portfólio é composto por seis produtos, voltados ao tratamento de câncer de mama, próstata e hematológico. Em todos os casos, foram o primeiro ou segundo genérico a chegar a mercado.

Em uma das frentes, a estratégia da Dr. Reddy's é trabalhar com valores menores do que os previstos na Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade (Apac) e, assim, capturar mais vendas. A Apac garante ao paciente acesso a tratamentos de alto custo, caso dos oncológicos, com recursos públicos. O portfólio de alto custo do governo não inclui os genéricos modernos oferecidos pela Dr. Reddy's. Em outra frente, o plano é seguir participando de concorrências públicas, embora atualmente o negócio esteja concentrado no mercado privado.

Na Rússia, primeiro mercado de atuação da farmacêutica fora da Índia, por causa das relações comerciais entre os dois países, o modelo adotado é semelhante, e considerado exitoso. "Ao oferecer genéricos a um custo mais baixo, há mais recursos disponíveis e ampliação do acesso à saúde", disse ao Valor o executivo-chefe da Dr. Reddy's para mercados emergentes e Índia, M V Ramana.

A própria trajetória da farmacêutica e seu portfólio refletem esse direcionamento ao acesso de pacientes a tratamentos mais sofisticados, e mais caros. Fundada em 1984, avançou sobre o mercado de genéricos inicialmente com moléculas simples e, hoje, tem um portfólio de genéricos de alta complexidade, além de biossimilares. A Dr. Reddy's foi a primeira farmacêutica a desenvolver, em 2007, um similar do Rituximabe, anticorpo monoclonal usado no tratamento de linfoma.

No último ano fiscal, das vendas líquidas globais de US$ 2,6 bilhões, cerca de 80% foram provenientes da área de genéricos e 16% vieram do fornecimento de princípios ativos (a matéria-prima do medicamento) para farmacêuticas em diferentes partes do mundo. Os Estados Unidos são um dos principais mercados para os genéricos da companhia, com 52% das vendas desse tipo de medicamento e 42% das vendas totais no último ano fiscal. Nesse mercado, a Dr. Reddy's está entre as dez maiores farmacêuticas em genéricos e as três maiores em oncológicos injetáveis.

Conforme Ramana, o Brasil é atrativo para a farmacêutica por causa do tamanho da população, da penetração crescente dos planos de saúde e do programa de saúde pública. "Queremos estar em países em que somos bem recebidos pelo governo e pela classe médica. E o Brasil é um país extremamente consciente sobre qualidade e com uma agência reguladora muito forte", disse o executivo, referindo-se à atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Atualmente, todo medicamento que abastece o mercado brasileiro é importado, mas se houver escala ou algum requerimento específico do governo, a farmacêutica pode produzir localmente com um parceiro, indicou Ramana.

Para 2019, segundo o presidente da farmacêutica no país, Anil Dhamani, a previsão é lançar ao menos mais seis produtos no país, três ou quatro dos quais destinados ao segmento hospitalar. No primeiro trimestre, chega a mercado o primeiro genérico da Azicitidina, indicada para o tratamento de mielodisplasia e com vendas de US$ 25 milhões no país em 2017. Até 2020, o total de lançamentos pode chegar a 15.