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2019-03-06

Natulab assume venda do Floratil no país e busca expansão de 20%

Veículo: Valor Econômico

Jornalista: Stella Fontes

Maior empresa de medicamentos fitoterápicos do Brasil, a Natulab acaba de dar um passo importante para acelerar seu plano de crescimento para os próximos três anos. A partir deste mês, a farmacêutica assume a marca e a comercialização no país do Floratil, um regulador intestinal com base em probiótico líder de mercado, com vendas anuais superiores a R$ 100 milhões. Produzido pela francesa Biocodex, o produto era vendido no mercado brasileiro pela alemã Merck.

De acordo com o presidente da Natulab, Wilson Borges, o objetivo é ampliar em 20% as vendas do Floratil nos primeiros 12 meses do acordo com a Biocodex, contribuindo para o crescimento ainda maior da receita total da farmacêutica, que praticamente dobrou entre 2016 e 2018. No ano passado, as vendas consolidadas da empresa, controlada pelo Pátria Investimentos, somaram R$ 1,18 bilhão, acima do R$ 1 bilhão previsto inicialmente. Para 2019, a expectativa, incluído o novo produto no portfólio, é faturar R$ 1,55 bilhão, com crescimento superior a 30%. "Devemos antecipar nossa meta de vendas", afirma Borges, referindo-se à expectativa de atingir faturamento anual de R$ 1,6 bilhão em 2021.

Segundo dados da consultoria IQVIA, o mercado de reguladores intestinais à base de probióticos movimentou 20,1 milhões de unidades (dos quais 4,6 milhões de unidades do Floratil) e R$ 365,7 milhões em 12 meses até janeiro, considerando-se os descontos concedidos (PPP, na sigla em inglês). Por esse último critério, o produto teve vendas de R$ 104,8 milhões e foi o primeiro no ranking - em unidades e em valores sem considerar descontos, o líder de mercado é o Repoflor, da Legrand Pharma. Há outras seis marcas disponíveis nesse segmento.

Com a venda dos negócios de saúde do consumidor da Merck AG para a Procter & Gamble (P&G), no ano passado, a Biocodex, detentora do registro do Floratil exerceu o direito de não dar continuidade ao acordo que mantinha com a farmacêutica alemã e abriu uma concorrência no Brasil para buscar um novo parceiro. Quatro ou cinco farmacêuticas, de capital nacional e multinacionais, submeteram propostas e a Natulab venceu a disputa, em um processo que se estendeu por quatro meses.

O acordo não prevê desembolso inicial em favor da companhia francesa, e sim o pagamento de um percentual não revelado sobre as vendas do produto. Para levar adiante o projeto, porém, a Natulab investiu R$ 30 milhões na área da fábrica de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, para montar uma operação específica para o Floratil, incluindo ampliação da rede de distribuição, força de vendas e marketing. No início de 2020, mais R$ 5 milhões devem ser aplicados na construção de um novo centro de distribuição, em São Paulo, o primeiro da farmacêutica fora da Bahia.

Segundo Borges, as vendas do Floratil vinham relativamente estáveis nos últimos cinco anos. Com sua incorporação ao portfólio, a estratégia será usar a presença da Natulab, sobretudo em mercados onde o probiótico tem desempenho mais fraco, para expandir as vendas. "Vamos usar a nossa presença no canal independente, sobretudo no Norte e Nordeste, para ganhar participação nos mercados onde o produto não vai tão bem", contou.