Destaques da Imprensa

Compartilhe:
15/06/2020
GSK participará dos testes da AstraZeneca

Veículo: Valor Econômico

Jornalista: Ana Paula Machado

A subsidiária brasileira da multinacional GlaxoSmithKline (GSK) vai fornecer mil doses da vacina para meningite para os testes do projeto entre a universidade de Oxford com a AstraZeneca no país e que deve inocular duas mil voluntários. A companhia também tem uma parceria com a Sanofi para desenvolver uma vacina contra a covid-19.

O presidente da empresa no Brasil, José Carlos Felner, disse ao Valor que a farmacêutica entrou no projeto de maneira colaborativa e que as doses que serão doadas para o projeto farão parte do grupo de controle dos estudos.

“Já estamos formalmente engajados para esse estudo clínico e vamos doar uma das vacinas para ser usado como comparador. Os cientistas aqui no Brasil podem escolher no nosso portfólio qualquer uma de nossas vacinas, uma das candidatas é a da meningite.”

No Brasil, a área de vacinas da GSK é responsável por 40% do faturamento da companhia na região. Felner ressaltou que das 19 vacinas que fazem parte do programa de imunização do Ministério da Saúde, 13 são fabricadas pelas companhia. “É uma área muito importante dentro da empresa tanto aqui como no mundo. Por isso, temos alianças estratégicas para a transferência de tecnologia e co-desenvolvimento com alguns dos institutos brasileiros, como o Butantan, a FioCruz e a Funed ”, afirmou.

Felner disse que na vacina para a covid-19 que a companhia está desenvolvendo em conjunto com a Sanofi, a companhia ainda não definiu os locais para os estudos clínicos. Entretanto, dada a experiência internacional e as outras iniciativas já em curso, esses estudos geralmente são feitos onde a transmissão do vírus está em ascensão. Atualmente, países do Hemisfério Sul são os candidatos mais prováveis para os ensaios.

No acordo com a Sanofi, Felner ressaltou que a GSK irá fornecer a sua comprovada tecnologia adjuvante pandêmica e a Sanofi com o antígeno covid-19 da proteína S, que é baseado na tecnologia de DNA recombinante. Segundo a companhia, essa tecnologia produziu uma correspondência genética exata com as proteínas encontradas na superfície do vírus.

“O uso de um adjuvante pode ser de particular importância em uma situação de pandemia, pois pode reduzir a quantidade de proteína da vacina necessária por dose, permitindo que mais doses de vacina sejam produzidas e, portanto, contribuindo para proteger mais pessoas”, disse Felner.

O executivo ressaltou que a GSK está acelerando a produção de adjuvante e com isso, terá condição de produzir 1 bilhão de doses de vacinas em pouco tempo. “Vamos produzir o suficiente para quando tivermos a comprovação da eficácia e segurança da vacina para a covid-19 vamos conseguir produzir em alta escala. Não vamos ser os primeiros a chegar com a vacina, mas vamos ser um dos primeiros a ter uma produção em grande escala.”

Espera-se que os ensaios clínicos para a vacina candidata sejam realizados na segunda metade de 2020 e, se for bem-sucedida, estará disponível no segundo semestre de 2021. “Até o final do ano certamente terá mais de uma vacina contra o novo coronavírus com comprovação mínima de eficácia e segurança mas, com toda certeza, em escala pequena de produção.”

Felner ressaltou que há muitas questões de ordem ética e legal que ainda não foram definidas pela parceira. “Qual país ficará com as primeiras doses, aquele que financiou ou aquele onde a pandemia está em ascensão? E se a vacina for produzida em outro país? Tudo isso deve ser respondido antes do fim do desenvolvimento”, afirmou o executivo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) existem mais de 100 vacinas em estudo no mundo, das quais 10 já se encontram em estágio bem avançado.

Voltar
Subir ao Topo

Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos

Todos os direitos reservados - Sindusfarma 2020