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13/07/2020
BMS prepara novos ensaios clínicos no país

Veículo: Valor Econômico

Jornalista: Ana Paula Machado

Após a compra da Celgene no final de 2019, a farmacêutica Bristol Myers Squibb (BMS) se tornou a quarta maior biofarmacêutica do mundo. A transação entre as duas empresas americanas foi a maior do setor até o momento, com valor de US$ 74 bilhões. A nova companhia terá uma receita global de US$ 45 bilhões. No Brasil, alcança R$ 1,5 bilhão.

O país, segundo o presidente da subsidiária brasileira, Gaetano Crupi, faz parte da rede de pesquisas da BMS. Há mais de 50 estudos clínicos em fases 2 e 3 em andamento no Brasil. “O país recebe grande parte dos investimentos em pesquisa e inovação. Mas, teríamos capacidade para investir perto do dobro se não fosse tão burocrático aprovar um estudo clínico por aqui”, disse Crupi ao Valor, em sua primeira entrevista como presidente da nova empresa.

Nesse portfólio de estudos, o executivo disse que a maior parte é realizada em áreas de alta complexidade, como oncologia, lúpus, doença de Crohn, fibrose pulmonar, esteatose hepática não alcoólica e doenças cardiovasculares.

“Nos Estados Unidos se leva até oito meses para a aprovação do protocolo de um ensaio clínico; no Brasil demora em média 15 meses. Um legado que a pandemia poderá deixar no país é de que a aprovação desses estudos poderá ser mais rápida. Viram que dá para fazer”, disse Crupi.

Se isso. de fato, for comprovado, o Brasil pode receber mais 30 estudos clínicos da BMS. O executivo disse que a subsidiária concorre com outras operações por esses investimentos. “ A matriz está na fase de planejamento para os novos estudos, e estamos na disputa. Dos ensaios que estamos prospectando, cinco são da Celgene. Pela importância do mercado brasileiro, deveríamos ter mais investimentos desse tipo.” 

A subsidiária figura atualmente entre a 10ª e a 13ª posição no ranking da companhia. A classificação acontece em função da desvalorização do real frente ao dólar. Crupi ressalta que, quando a comparação é em número de pacientes atendidos - em torno de 40 milhões de pessoas - o país sob para a 6ª ou 7ª posição na BMS.

“Quando se traduz o número de pacientes para receita em dólar, perdemos relevância”, diz. No entanto, ressalta que o Brasil é muito importante para a Bristol. Somente no mercado privado há 47 milhões de pessoas e outras 150 milhões são atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Há muito o que se crescer.” 

Nesse contexto, a farmacêutica vai lançar, até 2023, novas indicações e medicamentos de alta complexidade - ao todo, oito produtos. Quatro serão apresentados ao mercado entre 2021 e 2022 e o restante em 2023.

Atualmente, a BMS tem um portfólio de 10 produtos locais, sendo cinco oferecidos pelo SUS. “Este ano teremos novas indicações, além desse oito. Um medicamento, inclusive, já submetemos à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Deve chegar ao mercado em 2021”, afirmou Crupi.

A BMS também está concluindo a transferência de tecnologia de um medicamento para o tratamento de HIV para Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O processo se dá por meio das Parceiras para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), firmada há mais de cinco anos. “É um dos exemplos mais positivos desse projeto no Brasil. Vamos ver o remédio para o SUS só neste ano. Farmanguinhos passará a produzir em 2021”, disse Crupi. Segundo ele, hoje o medicamento é trazido da unidade da BMS em Porto Rico.

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