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18/01/2021
Anvisa libera Coronavac e vacina de Oxford; São Paulo começa imunização

Veículo: O Estado de S.Paulo

Jornalistas: Mateus Vargas e Fabiana Cambricoli

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou ontem, por unanimidade, o uso emergencial da Coronavac e da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca no País. Logo após a decisão, o governo de São Paulo, de João Doria (PSDB), começou a vacinação contra a covid-19 em profissionais de saúde. A medida contrariou o plano da gestão Jair Bolsonaro, que prevê iniciar a campanha nacional de imunização só na quarta.

Os cinco diretores votaram pela permissão, após recomendação das três gerências técnicas.

A relatora, a diretora Meiruze Freitas, condicionou o aval para a Coronavac à assinatura pelo Instituto Butantan de um documento que prevê apresentar dados de imunogenicidade da vacina até 28 de fevereiro (relatórios sobre o tema foram considerados insuficientes).

As informações de imunogenicidade devem mostrar por quanto tempo dura a resposta imune provocada pela vacina.

“Após avaliação dos relatórios, ressalvadas algumas incertezas, os benefícios conhecidos superam os riscos potenciais”, disse Meiruze. Já a decisão sobre a vacina de Oxford vale só para as 2 milhões de doses que o governo tenta trazer da Índia.

A gerência de medicamentos destacou a necessidade de monitorar “incertezas” e de “reavaliação periódica”, mas apontou a importância das vacinas diante do agravamento da pandemia e da ausência de terapia contra a covid. Os técnicos confirmaram a eficácia de 50,4% da Coronavac, mas não foi possível calcular a taxa por faixa etária, principalmente entre idosos, e contra casos graves.

Sobre Oxford, foram confirmadas segurança e eficácia média de 70,32%. No Brasil, com duas doses completas, a eficácia foi de 62%. Faltam ainda definições mais robustas sobre o uso de doses mais baixas ou de apenas uma. Há ainda incertezas sobre o grau de proteção de idosos e contra casos graves.

Aplicação

Logo após o aval da Anvisa, o governo de São Paulo realizou evento no Hospital das Clínicas – uma enfermeira foi a primeira imunizada. Ao menos 111 outros profissionais do hospital também foram imunizados. “A vacinação deve começar imediatamente. Cada dia conta, cada vida também”, disse Doria.

Cerca de 50 países já haviam começado a vacinar antes do Brasil, o que vinha aumentando a pressão sobre o começo da imunização. O início imediato da campanha de vacinação em São Paulo motivou troca de críticas entre Doria e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Segundo o governo paulista, hoje entra em operação um plano para distribuir doses a profissionais de saúde de seis hospitais de referência da capital, Ribeirão Preto, Campinas, Botucatu, Marília e São José do Rio Preto. Conforme o Butantan, por definição do ministério, das 6 milhões de doses da Coronavac já disponíveis no Brasil, 1,357 milhão ficou em São Paulo.

Já segundo o ministério, a distribuição das doses da Coronavac por todo o País ocorre a partir das 7 horas de hoje, com o apoio de aviões da FAB. A distribuição, diz Pazuello, será feita para “pontos focais” já previamente definidos em cada Estado.

Ele informou que, na conta para definir quantas doses cada um recebe, há uma taxa de risco – para que os locais mais afetados recebam mais doses proporcionalmente. Não indicou, porém, quanto vai para o Amazonas.

Idosos em asilos, indígenas e profissionais de saúde da linha de frente são os primeiros e recebem a imunização nos locais onde vivem/trabalham, sob coordenação de cada município.

Ainda está sendo definida a abertura dos postos de saúde para o resto da população e como as serão convocados.

Sobre a vacina de Oxford, ainda não há doses disponíveis no Brasil. O ministério tenta importar 2 milhões de doses da Índia, mas o plano teve problemas.

O avião chegou a ficar preparado para decolar, mas a viagem não foi levada à frente, disse Pazuello, porque o governo indiano ainda não havia começado a vacinar. “Estamos nas negociações diplomáticas para que seja autorizada a entrega.” Ele explicou que, uma vez que as duas vacinas estejam sendo aplicadas simultaneamente, não haverá uma estratégia específica sobre que Estado ou parcela da população receberá cada tipo. As doses serão rastreadas para garantir que cada pessoa volte para a 2ª aplicação.

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