Destaques da Imprensa

Compartilhe:
23/04/2014
Novartis e Glaxo fazem série de acordos para fortalecer os negócios
Veículo: Valor Econômico 

Jornalistas: Marta Falconi e Hester Plumridge, The Wall Street Journal Americas

As farmacêuticas voltaram com tudo ao mundo das fusões e aquisições. Ontem, a Novartis AG e a GlaxoSmithKline PLC revelaram uma série de transações, avaliadas em um total de mais de US$ 20 bilhões, que transformam de maneira fundamental as duas empresas, estreitando mais o foco da Novartis, mas sem prejudicar significativamente sua receita, e tornando a Glaxo uma potência na fabricação de vacinas e medicamentos para o consumidor.

Os acordos, anunciados antes da abertura dos mercados na Europa, seguem-se a notícias de que o investidor ativista americano William Ackman e a canadense Valeant Pharmaceuticals International Inc. planejam comprar a Allergan Inc., fabricante do tratamento de rugas Botox. Esse acordo, se concluído, criaria um gigante no setor de cuidados da pele e dos olhos.

As transações ocorrem em meio a um ressurgimento das fusões e aquisições na indústria farmacêutica, que volta a injetar dinheiro em expansão depois de pagar a dívida acumulada durante a onda de fusões do início dos anos 2000. Ao contrário daquela fase, em que grandes farmacêuticas se uniram para criar gigantes, essa nova onda de negócios é mais direcionada, com foco em transações que criem empresas capazes de competir como líderes em suas áreas, em vez de simplesmente garantir presença.

"Fusões e aquisições são uma estratégia que deve ser usada com moderação", disse Andrew Witty, diretor-presidente da Glaxo, em uma teleconferência ontem." Mas elas têm um papel extremamente importante, se a empresa consegue encontrar transações específicas que a permitam se fortalecer nos setores onde tem vantagem competitiva estabelecida." Tornar-se mais focada tem ajudado a criar valor para os investidores. Empresas puramente farmacêuticas, como a Bristol-Myers Squibb Co. e a AstraZeneca PLC, que não têm grandes divisões de genéricos, ou de diagnósticos, têm hoje um valor de mercado mais alto que rivais muito diversificadas. As ações da Pfizer Inc. subiram acentuadamente desde que ela se desfez da Zoetis, seu negócio de saúde animal, com uma oferta pública inicial de ações que captou US$ 2,2 bilhões em 2013. As da Abbott Laboratories também subiram, depois que ela desmembrou sua unidade farmacêutica AbbVie, em 2012.

Entre as ofertas que se destacam estão o acordo feito pela AstraZeneca para comprar, por US$ 2,7 bilhões, a participação da Bristol-Myers Squibb em uma joint venture que mantinham para o tratamento de diabete - parte dos esforços da AstraZeneca de se concentrar na doença - e a venda de ativos não essenciais pela GlaxoSmithKline, como as marcas de bebidas Ribena e Lucozade, onde não tem o peso necessário para competir.

No primeiro trimestre, a atividade de fusões e aquisições subiu 40% em comparação com o mesmo período de 2013, para US$ 16,9 bilhões, segundo a firma de pesquisas Dealogic.

A parceria incomum entre Ackman e a Valeant é mais um exemplo da tendência de negócios com um alvo específico que caracteriza a atual onda de atividade. A firma de private equity Pershing Square Capital Management LP, de Ackman, está trabalhando com a Valeant para comprar a Allergan, um forte participante do mercado de drogas cosméticas. A Valeant vê uma potencial economia de US$ 2,5 bilhões nos custos caso consiga se unir à Allergan, além de expandir seu portfólio de produtos.

As transações entre a Novartis e a Glaxo se ajustam diretamente a esse novo estilo de aquisições, permitindo que cada empresa fortaleça seus negócios mais promissores e removam divisões menores e pouco competitivas.

Desde que seu ex-presidente Daniel Vasella deixou a Novartis, no ano passado, o diretor-presidente, Joe Jimenez, disse repetidas vezes que deseja reorientar a Novartis para as áreas em que ela tem escala para competir, em vez de manter uma presença pequena em muitos mercados. A empresa vem reavaliando seus negócios e vendeu uma divisão de diagnósticos para a espanhola Grifols SA no ano passado.

Os acordos com a Glaxo, e um separado no qual a Novartis concordou em vender sua divisão de saúde animal para a Eli Lilly & Co. por cerca de US$ 5,4 bilhões, cumprem esse objetivo, colocando o foco da Novartis em produtos farmacêuticos, cuidados com os olhos e genéricos. Os analistas da Sanford C. Bernstein & Co. estimam que as vendas da farmacêutica vão cair um pouco mais de 6,5%, para US$ 53,5 bilhões, enquanto a margem operacional deve subir 2,5 pontos percentuais, para 27,2%.

"Essas transações marcam um momento de transformação para a Novartis", disse ontem Jimenez.

A Novartis, sediada em Basileia, na Suíça, vai adquirir a divisão de oncologia da Glaxo por cerca de US$ 14,5 bilhões, reforçando seu leque, já potente, de produtos contra o câncer. Depois de fechado o negócio, a Novartis vai obter cerca de 20% da sua receita anual, estimada em quase US$ 54 bilhões, de medicamentos contra o câncer.

Em troca, a Glaxo, sediada em Londres, vai pagar US$ 5,25 bilhões pela divisão de vacinas da Novartis, adquirindo com ela a promissora Bexsero, vacina contra a meningite B. Em outra operação separada, as duas empresas vão fundir suas divisões de produtos de saúde para o consumidor, que ficarão sob a gestão da Glaxo, combinando algumas das marcas mais conhecidas do mundo, como os analgésicos Excedrin e Panadol e a pasta de dentes Aquafresh.

"A escala das mudanças é realmente espantosa", disse Birgit Kulhoff, gestora de fundos do banco Rahn & Bodmer, em Zurique, que detém ações da Novartis e da Glaxo. Segundo Kulhoff, o perfil de risco da Novartis iria aumentar "ligeiramente" devido à nova configuração, mas os desafios, tal como a expiração de patentes, que a empresa está enfrentando ou vai enfrentar no futuro são administráveis.

A ação da Novartis subiu 2,3%, para 76,40 francos suíços (US$ 86,32) ontem, refletindo o entusiasmo do mercado pelos acordos. A ação da Glaxo subiu 5,2% em Londres, para 16,40 libras (US$ 27,54).

Os negócios também transformam a Glaxo, focando seus negócios em produtos para doenças respiratórias, HIV, vacinas e produtos para a saúde do consumidor. Essas quatro áreas serão responsáveis por cerca de 70% do total de vendas da empresa britânica.

A Glaxo vai assumir o comando das divisões combinadas de produtos para o consumidor, que se tornará uma das maiores fabricantes mundiais de remédios vendidos sem receita médica, com faturamento anual de cerca de 6,5 bilhões de libras esterlinas (US$ 10,9 bilhões). A Glaxo deterá 63,5% da divisão.

Ao combinar suas divisões de consumo, a Glaxo e a Novartis buscam adicionar escala e competir melhor com rivais de maior porte com foco no consumidor, bem como reduzir os custos de produção e vendas em até US$ 672 milhões por ano.

Alguns dos maiores produtos da nova empresa serão para dor e resfriado, unindo marcas como Excedrin, Panadol e Voltaren, para tratar enxaquecas, dores de cabeça, gripe e dores nas articulações.

O acordo também vai ampliar a liderança da Glaxo como a maior fornecedora mundial de vacinas, reforçando a sua posição nos Estados Unidos e no mercado da vacina contra a meningite. A nova empresa terá mais de 20 vacinas em desenvolvimento.
Voltar
Subir ao Topo

Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos

Todos os direitos reservados - Sindusfarma 2021