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25/04/2014
Novartis muda o destino da fábrica de vacinas em PE
Veículo: Valor Econômico 

Jornalista: Vanessa Dezem

A fábrica de biotecnologia que está sendo construída pelo laboratório suíço Novartis em Jaboatão dos Guararapes (PE) não vai mais produzir vacinas para imunização contra a meningite B, conforme tinha planejado a empresa.

A mudança de planos faz parte do anúncio desta semana quando a multinacional, globalmente, informou sua saída do negócio de vacinas, com a venda deste negócio para a britânica GlaxoSmithKline (GSK). Conforme antecipou o Valor, a venda do braço global de vacinas não inclui o ativo de Pernambuco. Mas, segundo informou em entrevista ao Valor ontem o presidente da Novartis Brasil, Adib Jacob, os planos de produção da unidade serão alterados.

"Esta fábrica começou a ser discutida quando Lula ainda era presidente. A companhia achou por bem mantê-la", afirmou o executivo. "Mas, não colocamos R$ 1 bilhão para soltar somente um produto ali. A empresa sempre teve em mente que seria uma unidade de biotecnologia", completou.

A empresa ainda não pode revelar que produto que será fabricado no local. Com perspectivas de ter o projeto civil concluído em meados deste ano, a ideia inicial era que a fábrica produzisse, em um primeiro momento, vacinas contra a meningite B. Posteriormente uma ampliação aconteceria para que a unidade abrigasse medicamentos biossimilares e, no futuro, biológicos inovadores.

Jacob continua sinalizando a intenção em crescer na área de biológicos. "Mais de US$ 60 bilhões em vendas de biológicos no mundo serão afetadas pela perda de patentes. Este mercado tem um imenso potencial", afirmou, em entrevista em março. A Novartis espera que a produção no local tenha início em 2017. A empresa terá tempo, dessa maneira, para definir sua nova estratégia.

Hoje, a Novartis atua em vacinas contra gripe e contra meningite C. No último, a empresa tem uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o governo, que será transferida para a GSK.

O Valor procurou o Ministério da Saúde para saber sua opinião sobre as mudanças de planos do laboratório suíço, mas até o fechamento desta edição não recebeu resposta. "A ideia do governo era ter uma unidade de alta tecnologia no Nordeste. O produto não era o mais importante", disse Jacob.

Nesta semana, a Novartis divulgou uma grande reorganização de seus negócios em escala global. A estratégia da multinacional é diminuir a ampla oferta de produtos e voltar seus esforços para os mercados de maior margem, em que tem maior relevância. Além da venda da área de vacinas, o anúncio incluiu a venda da divisão de produtos veterinários para a americana Eli Lilly por US$ 5,4 bilhões. No Brasil, a empresa tem apenas uma unidade pequena nesta área, que representa 5% do faturamento local. Em Barueri (SP), a fábrica tem cinco funcionários e está incluída na negociação com a Lilly.

O acordo incluiu ainda a compra da área de oncologia da GSK pela Novartis, pelo valor de US$ 16 bilhões. A Novartis e a GSK anunciaram ontem, por fim, a formação de uma joint venture em medicamentos sem prescrição médica (OTC, na sigla em inglês).

Localmente, a empresa recentemente também mexeu em suas operações. Em março, a Novartis já tinha anunciado a transferência da unidade de medicamentos maduros de Taboão da Serra (SP) para o laboratório União Química.

Com faturamento anual de R$ 3 bilhões, a empresa no Brasil - após as mudanças anunciadas globalmente - sai dos negócios de vacinas e saúde animal, mas vende apenas os ativos da área de produtos veterinários. A perda de receita da empresa no país será de 10%, em um primeiro momento. "Mas os ativos de oncologia da GSK são estratégicos. A possibilidade de, no final, a transação ser positiva é grande", afirmou Jacob.
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