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26/04/2014
Indústria farmacêutica no Brasil vira seu foco para a biotecnologia
Veículo: Folha de S.Paulo 

Jornalista: Joana Cunha
 
Após anunciar uma bilionária reformulação de seu portfólio global nesta semana, a farmacêutica suíça Novartis reduzo passo para reorganizar os planos de uma importante fábrica de biotecnologia em Pernambuco.

Enquanto isso, a indústria nacional dá os primeiros lances para, com o apoio do governo, desenvolver os biomedicamentos, remédios avançados feitos a partir de organismos vivos para tratar doenças complexas, como o câncer.

Um projeto que foi fortemente anunciado em 2007, a fábrica da Novartis em Jaboatão dos Guararapes (PE) gerou grandes expectativas e prometia ser o nascimento da biotecnologia no Brasil.

O país venceu uma acirra• da disputa com a Itália e Cingapura para abrigar o investimento.
Devido a uma série de dificuldades burocráticas e ambientais, a unidade não ficou pronta e as novas previsões foram jogadas para 2017.

Nesta semana, a Novartis comprou a área de oncologia da GSK, que por sua vez adquiriu o ramo de vacinas da suíça, levando ao cancelamento dos planos de fabricar a vacina para meningite em Jaboatão.

As decisões estratégicas sobre o futuro da produção de Pernambuco ainda não foram tomadas, segundo o presidente da Novartis no Brasil, Adib Jacob.

Ainda não há previsão do momento em que a empresa anunciará quais produtos pretende fabricar no local.

"Resolvemos manter a fábrica no grupo e isso mostra o compromisso que a empresa tem com o Brasil", diz.

Paralelamente ao esforço da Novartis em sair do papel com a biotecnologia no Brasil, a indústria nacional começou a se movimentar na mesma direção há dois anos.

Apesar de ainda iniciantes, as empresas de biotecnologia nacionais ganharam no mercado o apelido de "superfarmas".

por reunir gigantes do setor na formação de duas companhias, a Bionovis e a Orygen. Libbs e Cristália recentemente decidiram criar projetos sozinhas.

Com o apoio do BNDES elas devem investir, juntas, quase R$1,5 bilhão.

"A política indusuial é ftmdamental"', diz Regina Ido Arcuri, presidente do Grupo FarmaBrasil, entidade que reúne empresas brasileiras envolvidas em projetos de inovação; o Estado criando as bases. Não é privilégio porque segue modelos internacionais", afirma.

A ideia é que o governo federal seja o principal compra• dor dos remédios biológicos produzidos no Brasil, redu• zindoos impactos sobre aba• lança comercial da saúde, cujo deficit saltou de cerca de US$ 5 bilhões em 2005 para US$ 11,6 bilhões em 2013.

Trata-se de itens de alto valor agregado, que consumiram 43% da verba do Ministério da Saúde com remédios em 2012, embora tenham representado só 5% das unidades adquiridas pelo governo.

Elas irão operar por meio de PDPs (Parceria de Desenvolvimento Produtivo), que prevê a transferência de tecnologia da produção enquanto o governo se compromete a substituir a importação pelo produto nacional. A Novartis a inda não participa de PDPs em biotecnologia.

A Bionovis já está trabalhando no projeto da fábrica no Rio de Janeiro, segundo Odnir Finotti, presidente da empresa. "Estamos esperando a licença e já contamos diretor de pesquisa."' A Orygen, ainda sem definir onde deve instalar sua planta, projeta produção para 2017, de acordo com seu presidente, Andrew Simpson.
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