Empresas em Foco

Compartilhe:
02/03/2026
Mês de conscientização alerta para doença que pode surgir meses após o transplante de células tronco

Fonte: Sanofi

O Transplante de Células Tronco Hematopoiéticas (TCTH) costuma ser visto como o fim de uma longa batalha contra cânceres que acometem o sangue (como leucemias, linfomas e mielomas). Mas, para muitos pacientes, a recuperação traz um novo desafio: a Doença do Enxerto contra o Hospedeiro (DECH)2, uma complicação que pode surgir dias — ou até meses 3 — depois do procedimento, impactando o corpo e a qualidade de vida. 

No mês em que mundialmente se busca a conscientização sobre a DECH, especialista alerta para a importância do acompanhamento após o transplante. “O cuidado não termina quando o transplante dá certo. O período pós-transplante exige atenção contínua”, afirma Celso Arrais, médico hematologista, coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Nove de Julho e professor adjunto de hematologia e hemoterapia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). 

O que é a DECH 

A DECH ocorre após o Transplante de Células Tronco Hematopoiéticas (TCTH), quando as células imunológicas do doador (enxerto) reconhecem os tecidos do receptor (hospedeiro) como estranhos e os atacam. “Mesmo com compatibilidade total entre doador e receptor, os linfócitos T do doador podem desencadear essa reação inflamatória e iniciam uma resposta imune contra os tecidos do hospedeiro”, explica Arrais. Os dados de literatura sobre a incidência de DECHc (forma crônica da doença) apontam que a incidência de DECHc varia entre 30 e 70%3,4. 

A doença pode se manifestar de forma aguda, nas primeiras semanas, ou evoluir para a forma crônica, mais comum e prolongada. “Também existem formas mistas e de sobreposição da doença. Esta complexidade clínica reforça a necessidade de ampliação da educação e do conhecimento sobre a doença entre médicos e profissionais da saúde”, afirma. 

Sintomas que mudam a rotina 

Na DECHc, diferentes órgãos podem ser afetados ao mesmo tempo. Alterações na pele são frequentes, mas boca, olhos, pulmões, fígado, músculos e articulações também podem ser comprometidos. Os sintomas incluem ressecamento ocular e oral, fadiga intensa, dor crônica, dificuldade respiratória e limitação de movimentos. 

  • Alterações na pele: manchas, endurecimento, espessamento, coceira persistente ou sensação de pele “repuxada”. 
  • Olhos e boca secos: ardor, sensação de areia nos olhos, visão embaçada, boca seca persistente ou dor ao se alimentar. 
  • Sintomas gastrointestinais: diarreia frequente, dor abdominal, dificuldade para engolir ou perda de peso sem explicação. 
  • Fadiga intensa e dor crônica: cansaço que não melhora com repouso e dores musculares ou articulares. 
  • Problemas respiratórios: falta de ar aos esforços, tosse persistente ou redução da capacidade pulmonar. 
  • Infecções recorrentes: episódios frequentes ou de difícil controle. 

Quanto mais cedo a DECH é identificada, maiores são as chances de controlar a doença e evitar complicações. O acompanhamento regular faz parte do tratamento pós-transplante. 

Diagnóstico precoce faz diferença 

O diagnóstico5 é clínico e pode ser desafiador, já que os sintomas nem sempre são específicos. “Quanto mais cedo a DECH é reconhecida, maiores são as chances de controlar a doença e evitar sequelas”, afirma Arrais. O país ocupa o terceiro lugar no ranking mundial de doação de medula óssea6. 

O tratamento varia conforme a gravidade. Casos leves podem ser manejados com terapias locais, enquanto quadros moderados e graves exigem imunossupressão sistêmica e, quando não há resposta adequada, é possível o uso de terapias mais recentes, chamadas de drogas-alvo. 

Em setembro de 2025, a Anvisa aprovou o uso de Rezurock® (belumosudil) para pacientes com DECHc a partir de 12 anos, após falha de pelo menos duas linhas de tratamento. O medicamento é a primeira e única terapia específica aprovada no Brasil para tratar a DECHc. Ele atua diretamente nos mecanismos biológicos da doença, reduzindo inflamação e fibrose de forma precisa. 

Viver bem depois do transplante é possível 

Apesar da gravidade, a DECH pode ser controlada. “Quando tratada de forma adequada, muitos pacientes melhoram com o tempo, reduzem os medicamentos e conseguem levar uma vida próxima do normal”, explica Arrais. Algumas sequelas, como manchas na pele ou olhos secos, podem persistir e exigem acompanhamento.

O Brasil é o terceiro maior doador de medula óssea do mundo, mas especialistas destacam que informar pacientes e familiares é essencial para melhorar o cuidado pós-transplante. “Reconhecer os sinais precocemente pode mudar o curso da doença”, conclui o médico. 

Sobre a Sanofi

A Sanofi é uma biofarmacêutica impulsionada por P&D, potencializada por IA, comprometida em melhorar a vida das pessoas, gerando um crescimento consistente. Aplicamos nosso profundo entendimento do sistema imunológico para desenvolver medicamentos e vacinas que tratam e protegem milhões de pessoas ao redor do mundo, com um pipeline inovador que pode beneficiar milhões mais. Nossa equipe é guiada por um propósito: buscar os milagres da ciência para melhorar a vida das pessoas; isso nos inspira a promover o progresso e gerar um impacto positivo para nossos colaboradores e para as comunidades que atendemos, enfrentando os desafios mais urgentes da atualidade nas áreas da saúde, meio ambiente e sociedade.

Referências: 

  1. Hamerschlak N, Fernando L, Bouzas S, Seber A, Silla L, Ruiz M. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea 2012 II Reunião de Diretrizes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea Angra dos Reis (RJ), 4 a 6 de maio de 2012 [Internet]. Available from: https://sbtmo.org.br/wp-content/uploads/2021/07/Diretrizes_da_Sociedade_Brasileira_de_Transplante_de_Medula_Ossea_2012_ISBN_978-85-88902-17-6.pdf
  2. GVHD Alliance: Support & Resources [Internet]. org. 2024. Available from: https://www.gvhdalliance.org/resources/#LearnGvhd
  3. De Cássia R, Tavares B, Cláudia M, Moreira R, Silva M, Vaneusa, et al. III Reunião da SBTMO de Diretrizes Brasileiras em Transplante de Células Tronco Hematopoiéticas (TCTH) Diretrizes para profilaxia e tratamento da doença do enxerto contra hospedeiro crônica Guidelines for prophylaxis and treatment of chronic graft-versus-host disease [Internet]. [cited 2025 Feb 3]. Available from: https://sbtmo.org.br/wp-content/uploads/2021/07/04_DECH.pdf
  4. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Imunossupressão pós transplante de Medula Óssea [Internet]. Available from: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2016/pcdt_imunossupressao_transplantemedulaossea_cp2016.pdf
  5. Bouzas LFS, Silva MM, Tavares R de CBS, Moreira MCR, Correa MEP, Funke VAM, et al. Diretrizes para o diagnóstico, classificação, profilaxia e tratamento da doença enxerto contra hospedeiro crônica. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. 2010 May;32:22–39 
  6. Transplante de medula óssea: Brasil ocupa terceira posição no ranking mundial de doações [Internet]. Casa Civil. Available from: https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2022/setembro/transplante-de-medula-ossea-brasil-e-o-terceiro-maior-doador-do-mundo
Voltar
Subir ao Topo

Esclarecimento

A área Empresas em Foco publica notícias elaboradas e enviadas pelas empresas associadas ao Sindusfarma; seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade das empresas e não reflete anuência nem posições ou opiniões da entidade.