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29/08/2019
Verdemed busca mais capital e reforça governança

Veiculo: Valor Econômico

Jornalista: Maria Luiza Filgueiras

A Verdemed, farmacêutica criada por brasileiros no Canadá para produção de medicamentos à base de cannabis, iniciou uma segunda rodada de captação de recursos e está reforçando sua governança, em preparação para uma oferta pública de ações (IPO) planejada para 2020. A startup tem entre seus investidores os empresários Helio Seibel, acionista da Duratex e da Leo Madeiras, e Decio Goldfarb, acionista da Lojas Marisa.

A startup quer levantar US$ 9 milhões (cerca de R$ 36 milhões), dos quais US$ 3 milhões serão subscritos por atuais investidores - elevando o total já captado pela empresa, fundada há cerca de um ano, para R$ 64 milhões .Parte dos recursos serão destinado a testes clínicos de medicamentos para tratamento de esclerose e epilepsia infantil e desenvolvimento de pílulas para tratar insônia.

No Brasil, a companhia busca licença de registro e venda de produtos de canabidiol (CBD), que utiliza extratos e sínteses químicas. A empresa acredita que a discussão de aprovação para extratos e uso medicinal, isolado da discussão de uso recreativo, pode caminhar no médio prazo. Em junho deste ano, a Anvisa abriu duas consultas públicas sobre cultivo controlado e sobre registro de medicamentos de cannabis medicinal.

No entendimento do mercado de saúde, pode haver mais resistência em relação ao cultivo do que à liberação de medicamentos específicos, o que já acontece de forma geral em países da América do norte e Europa, por exemplo.

O que já é permitido no país é a importação de medicamentos à base de canabidiol para uso pessoal, mediante prescrição, para tratamento de saúde. A Verdemed começa sua atuação dessa forma, por meio da subsidiária Verdemed Care, responsável pelo comércio eletrônico de fitoterápicos.

A fabricação fica no Canadá e a empresa comprou um laboratório, no interior de São Paulo, que tem licenças de importação e instalações de controle de qualidade de substâncias controladas. A Verdemed tem 49% da colombiana Greenfarma, que detém área de 17 hectares de plantação de cannabis, já licenciada. Com a nova captação, parte do capital será para comprar fatia adicional e ter o controle dessa empresa. "Os recursos também permitirão acelerar testes clínicos. Cada medicamento tem um custo médio de US$ 5 milhões em quatro anos", diz José Bacellar, presidente da Verdemed.

A estimativa é que a companhia consiga entrar no mercado com preços mais competitivos - em um dos medicamentos importados, o custo atual no mercado é de US$ 1,5 mil e a Verdemed estima que consiga entregá-lo por US$ 200. Isso será possível, segundo a empresa, com ajuste de margem e com custo menor de produção devido à plantação própria A startup foi criada com US$ 1 milhão de capital somente de um grupo de investidores, que incluem médicos dos hospitais Albert Einstein e do Sírio Libanês, apurou o Valor, bem como recursos dos sócios executivos. Foi nessa leva também que membros da família controladora da Lojas Marisa entrou com participação - Decio e seu filho Ricardo Goldfarb.

Em rodada de captação em abril, a Verdemed teve aporte de US$ 6 milhões de Seibel, por meio de dívida conversível sem juros - que pode virar participação acionária em cinco anos. O empresário tem dois representantes no conselho de administração, Gustavo Ribas e Katia Costa. Também compõem o conselho, como membros independentes, o advogado americano Richard Yates e David Beatty, conselheiro do fundo de pensão canadense Omers. Assumiu neste mês como diretor financeiro Alex Penha, que foi vicepresidente de desenvolvimento da empresa australiana de fertilizantes Fertoz e da Aura Minerals.

Assim como a maioria das empresas do setor, a Verdemed quer fazer seu IPO em bolsa canadense. "Toronto virou o hub desse negócio, com investidores sofisticados. São 52 empresas do setor listadas em duas bolsas canadenses, avaliadas em mais de US$ 50 bilhões", diz Penha. "Esse investidor conhece os riscos regulatórios. Avaliamos que há uma grande oportunidade de reduzir custo de tratamentos e que isso é relevante na decisão de uma agência reguladora", diz Beatty.

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