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31/07/2020
Participação dos biossimilares deve aumentar

Fonte: Valor Econômico, caderno especial Indústria Farmacêutica

Jornalista: Martha Funke

O mercado de remédios biossimilares, direcionados ao tratamento biológico de doenças mais complexas, deve seguir a tendência verificada com os medicamentos genéricos, há 20 anos, quando estes baratearam o custo de uma série de tratamentos.

A Sandoz, da Novartis, atua em genéricos e biossimilares, cuja expansão deve fazer a participação dos genéricos cair dos 70% em 2019 para 60% neste ano. “As moléculas biossimilares são de alto custo e sua participação está aumentando”, diz o country head Marcelo Belaposky. Dados da Finep de 2018 mostram que os medicamentos biológicos representam 12% do volume e 60% dos gastos públicos com remédios.

Cinco dos oito biossimilares do portfólio mundial da Sandoz foram aprovados no Brasil. Três já são vendidos e dois serão lançados ainda este ano, adalimumabe e etanercepte, ambos indicados, por exemplo, para artrite reumatoide. Em fevereiro, a empresa fechou Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o laboratório BioManguinhos, da Fiocruz, para transferência de tecnologia do rituximabe, indicado para oncologia e reumatologia.

O acordo abre as portas para o mercado público e deve dobrar a parcela institucional nos negócios da empresa no país, hoje de 5%. Por aqui, o mercado privado é praticamente irrisório e os negócios se concentram em programas governamentais como Farmácia de Alto Custo, com escala e poder de negociação. “Alguns produtos sequer chegam ao mercado privado”, diz Odnir Finotti, CEO da Bionovis.

A empresa formada pelos grupos SEM, Hypera Pharma, Aché e União Química para atuar no mercado de biológicos integra dez PDPs. Desde 2016, já investiu R$ 215 milhões em sua unidade de Valinhos (SP), em obras civis e de infraestrutura industrial, laboratórios de controle de qualidade e P&D e planta piloto para produção de princípio ativo (IFA) dos medicamentos no país. Até 2021 serão R$ 421 milhões no total.

Para o Ministério da Saúde, a Bionovis importa e distribui etanercepte. Em 2021 fará formulação e envase e, em 2022, produzirá IFA do medicamento. Também participa da cadeia de distribuição avança em transferência de tecnologia dos originadores betainterferona 1 (para esclerose múltipla), em parceria com a Merck, e infliximabe, em parceria com a Janssen Cilag, ambos voltados a doenças degenerativas. O parceiro local é o BioManguinhos.

A Biomm, única empresa de biotecnologia humana listada na B3, já investiu R$ 29,7 milhões e tornou-se operacional este ano com o início das vendas de Herzuma (transtazumabe, oncológico), produzido pela coreana Celltrion; Afrezza, única insulina inalável do país, produzido pela americana Mannkind; e Wosulin, insulina humana injetável produzida pela indiana Wockhardt.

O laboratório Cristália acaba de anunciar distribuição, pelo SUS, do primeiro biossimilar do hormônio de crescimento Somatropina, que era importado.

Segundo a coordenadora da Biored, Priscila Torres da Silva, que representa 42 associações de pacientes, normas da Anvisa garantem maior segurança relacionada a padrão de qualidade para os biossimilares.

Os genéricos representam hoje 34,6% dos medicamentos consumidos no país. No primeiro semestre, tiveram 10,34% de expansão sobre o mesmo período de 2019, em número de unidades, e 17,7% em valor de vendas ao varejo. Para o mercado farmacêutico total, os índices ficaram em 8,6% e 11,31%. Isso sem contar os similares, ou genéricos com marca, que, além de investimentos em marketing, ganham apresentações diferentes dos medicamentos originais e contam com participação de mercado semelhante à dos genéricos. Somadas, as categorias representam quase 70% do mercado.

A ProGenéricos, representante dos fabricantes de genéricos, destaca participação expressiva principalmente no caso de doenças crônicas, como 73% em hipertensão e 74% em colesterol. Hoje 87 laboratórios comercializam genéricos no país, com mais de 3,3 mil registros e 21,7 mil apresentações. “O mercado é promissor e as empresas mantêm seus investimentos mesmo neste ano”, diz Telma Salles, presidente da entidade.

Grandes grupos da indústria contam com empresas ou unidades específicas para o segmento. A brasileira EMS é líder da categoria, com 500 apresentações no portfólio. Segundo o diretor comercial da unidade de genéricos, Aramis Domont, o faturamento deve crescer 20% este ano, com participação de 35% no total da empresa.

A unidade prescrição responde por 43% e as unidades OTC, hospitalar e marcas, pelo restante. A fabricante fechou 2019 com R$ 13,4 bilhões de faturamento e entre 2012 e 2021 soma R$ 1 bilhão de investimentos em seu parque fabril. Tem mais de cem patentes concedidas mundo afora, 300 registros de medicamentos no exterior e produtos em 40 países.

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