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12/02/2026
Em visita ao Sindusfarma, Padilha inaugura novo estúdio e fala a executivos sobre Anvisa, PEC do Plasma, PDPs e novas tecnologias

Ministro Alexandre Padilha fala com representantes da indústria farmacêutica no auditório do Sindusfarma

A sede do Sindusfarma recebeu, nesta quarta-feira (11), o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em uma agenda que reforçou a importância do diálogo institucional para o fortalecimento do complexo industrial da saúde no Brasil. Em um momento decisivo para o setor, a visita marcou a inauguração do novo estúdio da entidade, criado para ampliar a interlocução qualificada com o poder público e a sociedade, e reuniu cerca de 150 executivos da indústria farmacêutica em um encontro voltado aos principais desafios regulatórios, produtivos e tecnológicos da saúde no País.

O evento também contou com a participação da secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri. O presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, conduziu as atividades e mediou o debate com os representantes do setor.

A programação teve início com a inauguração do estúdio do Sindusfarma. No novo espaço, o ministro participou da gravação de um podcast que será divulgado em breve. Durante a conversa, abordou temas centrais para a indústria farmacêutica, como o Programa Agora Tem Especialistas, as discussões recentes sobre as canetas emagrecedoras e o debate em torno do licenciamento compulsório de produtos patenteados.

Na sequência, o ministro e a secretária participaram de um evento com executivos da indústria farmacêutica. O encontro foi marcado por perguntas diretas do público e respostas detalhadas das autoridades, com mediação de Mussolini.

Um dos principais temas foi o desafio regulatório da Anvisa. Ao questionar como a indústria pode contribuir para a melhoria dos processos e para a redução de filas, Mussolini ressaltou que o problema vai além da falta de pessoal e envolve a necessidade de aperfeiçoamento de fluxos e procedimentos.

Padilha afirmou que o fortalecimento da agência é estratégico para o desenvolvimento do país. “O nosso critério vai ser sempre esse, de consolidar a Anvisa como uma agência que contribui para o desenvolvimento do país, com a compreensão de que a proteção sanitária passa por produzir, incorporar, desenvolver e inovar tecnologia no nosso país”, declarou.

O ministro informou que foi criado um grupo coordenado pelo Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e com a participação de associações e da indústria, para avaliar melhorias nos processos. “Tudo o que vocês tiverem de proposta para acelerar esse processo, mudança de processo, nós vamos querer incorporar”, afirmou, dirigindo-se a Mussolini e aos representantes do setor.

Padilha também destacou investimento de R$ 25 milhões em ferramentas de inteligência artificial na Anvisa para acelerar análises e procedimentos. Segundo ele, há compromisso da diretoria da agência e cobrança do presidente da República para aprimorar a eficiência regulatória.

O futuro das PDPs

As Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo foram outro ponto central do debate. Mussolini manifestou preocupação com a necessidade de maior agilidade e previsibilidade, além dos riscos jurídicos decorrentes de projetos que não entregam os resultados esperados.

Fernanda De Negri reconheceu os desafios e destacou avanços recentes. “A questão da precificação da transferência de tecnologia é uma questão que temos demandado há muito tempo. A tecnologia não tem preço, mas o custo da transferência pode ser precificado. Isso vai dar mais transparência para a política”, afirmou.

Ela informou que o ministério publicou diretrizes para orientar essa precificação e tem ampliado a transparência das PDPs, com divulgação de dados e criação de um conselho consultivo formado por ex-ministros e ex-secretários. A secretária também reconheceu que a capacidade de absorção tecnológica por parte de laboratórios públicos é um gargalo relevante. “Nem todos os laboratórios conseguiriam absorver todas as tecnologias. Este tem sido um gargalo importante”, disse.

Para ela, o foco deve estar na consolidação de plataformas tecnológicas no país. “Dominar plataformas tecnológicas dentro do país é mais importante do que estar localizado em um ou outro laboratório público específico”, afirmou, defendendo maior espaço para parcerias com o setor privado nacional.

A situação da Hemobrás e o debate sobre a chamada PEC do Plasma também foram abordados no encontro. Questionada sobre o avanço do projeto, Fernanda destacou que a estatal evoluiu na estruturação da planta e caminha para ampliar a produção de hemoderivados, como albumina e fatores de coagulação. Segundo ela, o próximo passo é acelerar a etapa produtiva e avaliar a diversificação do portfólio, incluindo novas tecnologias.

Padilha reforçou que a fábrica inaugurada é a maior da América Latina no segmento de hemoderivados e que há desafios para ampliar a utilização da capacidade instalada. Ele também reafirmou a posição do governo contrária à comercialização do plasma. “Nós somos contrários à ideia de abrir esse processo, transformar o plasma num produto a ser comercializado. Isso leva a riscos, inclusive sanitários”, declarou.

De acordo com o ministro, a estratégia é atrair investimentos tecnológicos e buscar autossuficiência em hemoderivados por meio de parcerias, inclusive internacionais, sem abrir mão do princípio de que a doação de sangue e seus derivados não sejam comercializados no Brasil.

“Revolução digital”

Em relação ao avanço das novas tecnologias em saúde, especialmente na área digital, Padilha afirmou que o país vive uma transformação estrutural. “Nós vamos fazer uma revolução digital a partir da liderança do Ministério da Saúde”, disse.

Ele destacou a criação da Secretaria de Saúde Digital e informou que mais de 6 milhões de teleatendimentos foram realizados em 2025 pelos núcleos de telessaúde financiados pelo ministério. O ministro também mencionou a implantação do CPF como número único do SUS, com mais de 100 milhões de cadastros higienizados e integração dos principais sistemas de informação, além do projeto de hospitais inteligentes com financiamento do Banco dos Brics.

Ao final do encontro, ficou evidente a disposição de diálogo entre governo e indústria farmacêutica. A visita de Alexandre Padilha ao Sindusfarma, marcada pela inauguração do novo estúdio e por discussões estratégicas sobre regulação, inovação, produção nacional e transformação digital, reforçou o papel da entidade como espaço qualificado de articulação institucional e de construção de soluções para o fortalecimento do complexo industrial da saúde no Brasil.

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