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09/10/2023
Ecossistema de inovação: parques tecnológicos e políticas públicas

A importância de se incentivar a criação e garantir a manutenção de ecossistemas que viabilizem um sistema forte e competitivo de inovação em saúde no país, com o suporte de políticas públicas adequadas, foi abordada no encontro.

Chico Saboya (Embrapii) durante a mesa "A relevância dos ambientes de inovação no mundo pós pandemia"

O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Chico Saboya, destacou a importância dos ecossistemas para enfrentar o desafio de garantir a inovação tecnológica aplicada à produção farmacêutica. “Queria saudar os organizadores deste evento pela oportunidade de convergir e trazer para debater o setor produtivo, órgãos públicos e instituições de fomento, como a Embrapii, para que possamos discutir os grandes desafios que o país tem hoje: a inovação tecnológica aplicada, no caso específico, à produção farmacêutica. O Brasil tem um déficit de R$ 10 bilhões por ano e precisamos, seja em nome da soberania nacional, seja para assegurar os fluxos de medicamentos em atenção à saúde da população, seja o desafio do futuro, incrementar a inovação. Então, o que falamos aqui foi a importância dos ecossistemas para promoveram esse esforço, combinado em múltiplos agentes, para que possamos enfrentar o desafio da inovação tecnológica. E o Brasil vir a ocupar neste mercado global de 1 trilhão de dólares um espaço que o país merece”.

A vice-presidente de Inovação da Eurofarma, Martha Penna, comentou a estratégia de inovação da empresa. “Fazer inovação radical na indústria farmacêutica carrega um risco e uma transformação dentro da empresa que é gigantesca. É uma construção. O maior case de sucesso da Eurofarma foi entender [esse processo] e montar uma estratégia em que o primeiro pilar para inovar é o reforço do negócio existente. Então, decidimos ser, se não a melhor, uma das melhores companhias de geração de produtos genéricos. E a gente conseguiu. Isso abriu espaço para termos hoje musculatura para fazer os investimentos que a gente precisa. Os incrementais hoje representam em licenças com patentes 30% do que temos em pipeline e vamos fazendo investimentos crescentes em inovação radical.”

O diretor executivo do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da UFRN/HUOL/EBSERH, Ricardo Valentim, ilustrou a relevância dos ambientes de inovação relatando a experiência do LAIS. “É um laboratório que tem mais de 600 pesquisadores, todos remunerados, dentro e fora do Brasil. Temos hoje mais de 100 projetos executados em paralelo. Todos projetos que a gente não inventou; são projetos que batem na porta da gente, pedindo que a gente resolva o problema. A gente não publica para produzir, a gente produz para publicar.”

O gerente de Estratégica Setorial para Saúde do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Vitor Pimentel, falou do compromisso do banco em ampliar o acesso à saúde por meio de recursos não reembolsáveis aos ecossistemas de inovação. "Estamos em um momento de fortalecimento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e o BNDES tem uma parceria com a Embrapii para a alocação dos nossos recursos não reembolsáveis. É um processo longo de habilitação e credenciamento, mas visa proporcionar às empresas maior previsibilidade e desburocratizar este acesso".

O presidente do Supera Parque, Sandro Scarpelini, descreveu a sinergia de parques tecnológicos como o seu, situado em Ribeirão Preto (SP), que juntam munícipio, Estado e iniciativa privada no processo de criação de novas tecnologias. “Este evento é muito importante nacionalmente, pois reúne pessoas que estão envolvidas com inovação, novas tecnologias, seja em fármaco, na saúde ou em outras áreas. O Supera Parque mostrou que a união das startups nossas e da tecnologia que tínhamos ali ajudou em muito a cidade nos dois anos que se seguiram [ao início da pandemia]. [Nesse período] todo mundo sentiu [os problemas decorrentes da] falta de política de investimento do país [em pesquisa e desenvolvimento]. Temos hoje 82 empresas e 68% delas são da área da saúde. É uma associação entre a Universidade de São Paulo e o município e uma grande participação do setor privado. Várias empresas na região, inclusive empresas farmacêuticas, já antigas, têm suporte e investem bastante no Parque”.

O diretor do Departamento de Programas Temáticos do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), Leandro Pedron, apresentou programas de fomento que seu ministério oferece com o objetivo de desenvolver a produção e o acesso a produtos de saúde. “Nossa área é responsável por cuidar de pesquisa e desenvolvimento em inovação para a área da saúde. Cúpulas como esta servem para discutir como vamos ampliar o sistema e trazer investimentos públicos de maneira correta, direcionados para os gargalos que o setor identifica. Então, a função do Ministério de Ciência e Tecnologia, além do fomento a pesquisas e desenvolvimento que já são feitas, quais novas áreas vamos atacar para desenvolver. Então, são nestes setores e nestes ambientes que vamos fazer a discussão e entender o direcionamento de política pública para ter resultado e conseguir dar acesso à população de produtos, sejam medicamentos, sejam biológicos. O Ministério vem atuando acerca disso, identifica alguns gargalos, os problemas regulatórios a resolver. Temos que trazer as pesquisas brasileiras dos ICTs próximas às empresas para chegarmos aos produtos finais. Então, entendendo todo este cenário, que são em ambientes como este que vamos discutir e entender para poder direcionar”.

O chefe de Estratégia do Centre for Process Innovation (CPI), Arun Harish, fez a palestra magna da abertura da Cúpula. Ele estacou a importância da inovação e da colaboração para enfrentar alguns dos maiores desafios globais na área da saúde, tais como a prevenção de doenças, descobertas de drogas inovadoras, desenvolvimento de novas tecnologias e dispositivos, além da maior eficiência e sustentabilidade nos processos industriais. “Colaboração é a palavra para integrar os vários atores e ecossistemas da área da saúde - governo, indústria, academia e os drivers de inovação”.

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