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25/03/2014
Profarma aumenta capital e atrai sócio
Veículo: Valor Econômico 

Jornalista: Rodrigo Polito

A distribuidora de medicamentos e itens de higiene pessoal Profarma estuda fazer aquisições no segmento de varejo fora do Rio de Janeiro. O objetivo da empresa é ampliar a fatia dessa área de negócio nas vendas totais da companhia de 15% para 30%, em até três anos. A estratégia recebe impulso, agora, de duas operações: aumento de capital e a entrada de um novo sócio, a AmerisourceBergen.

"Entramos no ano passado no varejo, através de duas redes no Rio de Janeiro [por meio da aquisição da Drogasmil/Farmalife e Tamoio]. Temos a visão de entrar em outros Estados através de aquisição. Nosso crescimento, nessa divisão de negócio, será um misto de crescimento orgânico e aquisição", disse o diretor de relações com investidores da Profarma, Maximiliano Fischer, ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

Parte dos recursos para turbinar a expansão será proveniente de um aumento de capital, de até R$ 335,6 milhões. Desse total, a gigante americana de distribuição de medicamentos AmerisourceBergen se comprometeu a injetar cerca de R$ 190 milhões, por meio de subscrição de ações que serão cedidas pela BMK Participações, controladora da Profarma. Ao fim da operação, previsto para o segundo trimestre, a americana terá de 17,6% a 19,9% da Profarma.

O acordo firmado entre as duas empresas, divulgado ontem, prevê a criação de uma joint venture, chamada Profarma Speciality, com participação de 50% cada uma, na área de especialidades hospitalares (produtos de alto valor como os destinados para tratamentos oncológicos e próteses mamárias, entre outros).

A contribuição da Profarma para a joint-venture será representada pelas empresas do setor Prodiet e Arpmed, adquiridas pela companhia em 2011 e 2012. Já a norte-americana, líder mundial no segmento, contribuirá com dois aportes, além dos R$ 190 milhões: um primário de R$ 40 milhões e um secundário (por meio de aquisição de ações adicionais) de R$ 21,3 milhões.

Assim como o mercado de varejo, o segmento de especialidades hospitalares é considerado estratégico para a Profarma. As duas áreas têm margens e rentabilidade superiores às da atividade de distribuição de produtos farmacêuticos, negócio original da Profarma e que ainda responde por 70% do faturamento da empresa.Segundo Fischer, o negócio de especialidades hospitalares responde por 15% das vendas da Profarma.

A AmerisourceBergen, por sua vez, também considera o acordo estratégico para sua entrada no mercado brasileiro. "Com uma visão de crescimento macroeconômico no longo prazo, demografia favorável e crescente acesso a serviços de saúde e especialidades farmacêuticas, o mercado brasileiro nos oferece uma tremenda oportunidade para expandir nossas ofertas internacionais", afirmou o diretor-presidente da companhia, Steven Collis, em comunicado ontem.

Com receita anual de US$ 88 bilhões no ano fiscal terminado em outubro, a AmerisourceBergen tem acordo firmado, em 2013, com a Walgreens, maior rede de drogarias dos Estados Unidos, e com Alliance Boots, distribuidora europeia de remédios, em que as duas últimas têm direito de adquirir 23% do capital da norte-americana.

Segundo Fischer, o acordo com a AmerisourceBergen anunciado ontem, porém, não teve nenhum envolvimento da Walgreens e da Alliance Boots, e é focado em especialidades hospitalares.

As ações da Profarma fecharam o pregão com alta de 9,44%, cotadas a R$ 19,37.

Análise: Negócio tem forte peso estratégico para americanos

Jornalista: Adriana Mattos

A entrada no país da AmerisourceBergen deve colocar os negócios da Profarma, e do setor, em outro patamar daqui para frente.

A operação torna a Profarma parceira da terceira maior empresa de distribuição de medicamentos do mundo, que por sua vez deve se tornar, em poucos anos, sócia da varejista americanas Walgreens e da cadeia europeia Alliance Boots. A Walgreens, a maior cadeia americana de drogarias, tem 45% da Boots, a maior distribuidora de remédios da Europa - e ambas somam base de farmácias de cerca de 11,6 mil pontos no mundo.

A nova sócia da Profarma deve virar parceira dessas redes porque a Walgreens e a Alliance têm acordo assinado com a AmerisourceBergen há cerca de um ano. O contrato determina o direito de Walgreens e Alliance comprarem até 23% da AmerisourceBergen, numa operação em etapas. A primeira compra em 2016 e a segunda, em 2017. Desse percentual, 16% se dará por meio de "warrants", títulos que dão o direito de compra de ações ordinárias de uma empresa a preço fixo. No mínimo, as companhias entram comprando 7% da distribuidora americana.

Quando a Walgreens atingir 5% de participação na AmerisourceBergen, a rede de farmácias já pode indicar um membro do conselho na empresa. A AmerisourceBergen já é responsável por cerca de 80% da distribuição da Walgreens nos EUA. Parte do crescimento da AmerisourceBergen vem exatamente dessa relação com o varejo.

Nesse ambiente, um concorrente peso-pesado no varejo de farmácia observou que a chegada da AmerisourceBergen no país tem um fundo estratégico maior do que aparenta, a princípio.
Cerca de R$ 190 milhões serão aportados na Profarma pela sócia americana. Os recursos ajudarão a atacadista brasileira e ampliar seu negócio de varejo de farmácias. A Profarma decidiu entrar mais pesadamente no ano passado no comércio de drogarias no país.

A Walgreens, por sua vez, tem interesse no mercado brasileiro de farmácias, apurou o Valor. Existiram conversas em 2012 entre Walgreens e a varejista Brasil Pharma, do banco BTG Pactual, mas as negociações não avançaram.

A consolidação do setor de farmácias continua aberta. Em 2013, a maior rival da Walgreens nos EUA, a CVS, fechou a compra do controle da Onofre e se tornou a primeira rede de varejo americana a ter uma operação no país.

O negócio com a Profarma marca ainda a entrada no país de mais uma das "big three" (três grandes) do setor de distribuição de medicamento no mundo, mercado de US$ 300 bilhões e liderado pela Cardinal Health, McKesson e AmerisourceBergen. A americana McKesson é a maior do mundo, com cerca de US$ 120 bilhões de receita em 2013, seguido pela Cardinal (US$ 101 bilhões). Na terceira posição, a AmerisourceBergen é uma empresa com US$ 88 bilhões em vendas e lucro líquido em queda, de US$ 719 milhões em 2012 para US$ 433,7 milhões em 2013, reflexo de uma alta de 20% nas despesas no ano passado.

Até então, entre as três maiores, apenas a Cardinal operava numa parceria com hospitais brasileiros na área de distribuição de medicamentos. A Cardinal tem contrato com o hospital A.C. Camargo no país, por exemplo.

Nenhuma das "big three", porém, está tendo vida muito fácil. Relatório da Turner Investments aponta para a falta de oportunidades de crescimento, por meio de aquisições de distribuidores em mercados maduros. O Brasil - um grande mercado emergente - surge, então, como opção.

A criação de um modelo de empresa que explore os negócios de varejo e atacado de farmácias no mundo é o plano de negócios de dez entre dez empresas da área hoje. É a forma de ganhar nas duas pontas e não depender do intermediário, que fica com parte da margem do produto. A Alliance, forte em atacado de medicamentos na Europa, fez isso ao se associar com a varejista Walgreens. A Profarma tenta seguir a mesma cartilha, e reforça essa estratégia com a entrada da AmerisourceBergen no capital da empresa.

Enquanto a AmerisourceBergen ganha com a entrada num novo país - num mercado da distribuição de medicamentos consolidado - a Profarma vai ampliar atuação naquilo que o novo sócio faz bem.
 
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