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26/09/2015
Melhores da Dinheiro: E.M.S é a campeã da categoria Farmacêutico e Higiene

Veículo: As Melhores da Dinheiro - IstoÉ Dinheiro 

O laboratório E.M.S é o campeão da categoria Farmacêutico, Higiene e Limpeza do anuário As Melhores da Dinheiro. A Eurofarma ocupa a 3ª posição. Natura (2ª), Condor (4ª) e Unilever (5ª) completam o grupo dos primeiros do ranking geral. Pfizer, União Química e Takeda estão entre os melhores nos rankings Recursos Humanos, Sustentabilidade Financeira e Inovação e Qualidade.



Sem remédio amargo

Jornalista: Ralphe Manzoni Jr.

26/09/2015 - Nos primeiros seis meses de 2015, as vendas de medicamentos cresceram 16,6%, movimentando R$ 36 bilhões, de acordo com dados da consultoria americana IMS Health. Em qualquer setor, dada à recessão econômica pela qual passa o Brasil, seria motivo para comemoração. Mas não na área farmacêutica, acostumada a taxas maiores de expansão. O resultado só foi expressivo graças aos genéricos, única categoria que registrou aumento de participação de mercado. Sem eles, o avanço teria sido de 10% - ainda assim, um tremendo desempenho, embora esteja longe das altas taxas registradas no passado recente. Esse crescimento acendeu o sinal de alerta da indústria. Nos últimos três anos, o setor cresceu mais de 50%. O faturamento das empresas da área passou de R$ 43,9 bilhões, em 2011, para R$ 65,9 bilhões, no ano passado. A receita dos medicamentos sem marca quase dobrou de tamanho, no mesmo período, com receitas chegando a RS 16,2 bilhões, em 2014. "Continuamos crescendo, mas não no ritmo que queríamos", diz Telma Salles, presidente da Pró-Genéricos, entidade que representa os laboratórios da área. "Nesse sentido, os genéricos têm sido uma opção para as pessoas que estão em dificuldades."

Os genéricos, atualmente, detêm uma participação de 28,6% no mercado brasileiro. Mas esse número pode superar os 35%,

pois os dados não contam com compras públicas nem com o valor dos produtos subsidiados pelos governos estaduais e federal . Entre os dez maiores laboratórios brasileiros, nove deles fabricam medicamentos sem marca, sendo que a categoria chega a responder por mais de 50% do resultado, segundo dados da PróGenéricos. Mas as empresas brasileiras já perceberam que não podem colocar todas as suas fichas nos genéricos e começam a investir nos produtos chamados de inovadores. "Esse é o segundo movimento natural da indústria brasileira", afirma Reginaldo Arcuri, presidente do grupo FarmaBrasil, formado pelos laboratórios nacionais Aché, Biolab, Bionovis, Cristália, EMS, Eurofarma, Hebron, Libbs e Orygen, para representar seus interesses em produtos que exigem milhões de reais, às vezes bilhões de reais, em pesquisa e desenvolvimento.

Esse é caso da paulista EMS, do empresário Carlos Sanchez, vencedora no setor Farmacêutico, Higiene e Limpeza do anuário AS MELHORES DA DINHEIRO. O laboratório, que surgiu em 1964, ganhou notoriedade a partir da legislação que criou os medicamentos genéricos, no fim dos anos 1990. Desde então, fez fama e fortuna com os remédios sem marca, categoria que lidera com uma fatia de aproximadamente 19% do mercado. Atualmente, 70% da receita da empresa, que foi de aproximadamente R$ 2,5 bilhões, em 2014,vem dessa área. Mas os planos da EMS são de inverter essa relação. "A EMS é quase sinônimo de genéricos", diz Marcus Sanchez, vice-presidente institucional do laboratório. "Nos próximos 18 a 24 meses, a área de prescrição médica, que inclui associações e inovação incrementai, será mais importante."

Isso não significa que a EMS deixará de investir em genéricos. Ao contrário. No ano passado, a empresa inaugurou uma fábrica em Manaus, com investimentos de R$ 385 milhões, capaz de produzir 1,5 bilhão de comprimidos por mês. A unidade é uma das cinco maiores fábricas do mundo de medicamentos sólidos. Em 2016,o laboratório, baseado em Hortolândia, no interior paulista, pretende colocar em operação uma nova unidade industrial em Brasília, para produzir hormônios e antibióticos. A nova fábrica terá capacidade produtiva de 29 milhões de caixas de medicamentos por ano.

Mas daqui para a frente, muito da energia da empresa será focada em produtos inovadores. A EMS, ao lado de Aché, Hypermarcas e União Química, é uma das acionistas da Bionovis, formada para atuar no segmento de biomedicamentos, uma das áreas mais avançadas do setor farmacêutico. A nova empresa, que terá um investimento inicial de R$ 739 milhões, está em fase de construção de uma fábrica em Valinhos, no interior de São Paulo. Além disso, a EMS criou a Brace Pharma, braço internacional para investir em empresas que desenvolvem produtos de inovação radical. Nesse projeto, ela conta com US$ 300 milhões para aplicar em projetos ambiciosos, como a GeNO, uma empresa biofarmacêutica privada focada no desenvolvimento da próxima geração de óxido nítrico para doenças pulmonares e cardíacas. A Brace conta com um comitê científico de primeira linha, como o Prêmio Nobel de Medicina, Eric Kandel, e o médico oncologista Samuel Broder, ex-diretor do National Câncer Institute e codesenvolvedor dos primeiros medicamentos para tratamento da Aids.

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