Nova indicação de Sarclisa® (isatuximabe) para mieloma múltiplo recém-diagnosticado elegível para o transplante é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)[1], sendo a primeira terapia anti-CD38 em combinação com tratamento padrão (VRd - lenalidomida, bortezomibe e dexametasona) em primeira linha de tratamento como regime de indução para o transplante autólogo de células-tronco a prolongar a sobrevida livre de progressão da doença, com 83% dos pacientes livres de progressão em três anos , em comparação com 75% no tratamento padrão, além de reduzir o risco de progressão ou morte da doença em 36%, segundo o estudo clínico GMMG-HD7[2]. A molécula já está aprovada no Brasil desde 2022 para outras três indicações – em segunda linha de tratamento para pacientes recidivados ou refratários, em primeira linha para pacientes refratários não elegíveis ao transplante, e em terceira linha para pacientes adultos com mieloma múltiplo recidivado e refratário que já receberam pelo menos duas terapias anteriores, com progressão da doença na última terapia.
O mieloma múltiplo é o segundo tipo de câncer de sangue mais comum no mundo[3], afetando mais de 130 mil pacientes, com cerca de 32 mil diagnósticos por ano[4]. Apesar de não ter cura, a realização da terapia de indução seguida de mobilização de células-tronco e transplante autólogo pode promover um controle prolongado da doença, com maior chance de resposta completa[5]. Atualmente, 49% dos pacientes com mieloma múltiplo são elegíveis para realizar o transplante[6].
O estudo GMMG-HD7 também evidenciou que 53,1% dos pacientes que receberam a terapia quádrupla apresentaram doença residual mínima negativa continuada – número de células cancerígenas sobreviventes após o tratamento, sendo uma medida altamente sensível da eficácia da terapia - em comparação a 38% do grupo controle, sendo consistente com o benefício prolongado da sobrevida livre de progressão2.
O perfil de segurança de isatuximabe foi consistente com o seu perfil já conhecido e não foram identificados novos eventos adversos na terapia em combinação2.
Sobre o estudo de fase 3 GMMG-HD7
Estudo pivotal, randomizado, aberto, multicêntrico, para pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado elegível ao transplante, dividido em duas partes e que avalia Sarclisa® em combinação com VRd (combinação de bortezomibe, lenalidomida e dexametasona), em comparação com VRd. A segunda parte do estudo inclui uma nova randomização para avaliação da manutenção do tratamento com Sarclisa® em combinação com lenalidomida versus lenalidomida isolada.
O estudo incluiu 662 pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado elegível para transplante, distribuídos em 67 centros na Alemanha. Na primeira parte do estudo, todos os participantes foram randomizados 1:1 para receber três ciclos de 42 dias de Sarclisa® em combinação com RVd ou VRd. Na segunda parte, os pacientes foram randomizados novamente, após o transplante, para receber Sarclisa® em combinação com lenalidomida ou apenas lenalidomida como terapia de manutenção.
Sarclisa® foi administrado por infusão intravenosa na dose de 10 mg/kg uma vez por semana no primeiro ciclo, e depois a cada duas semanas durante o restante do período de indução.
O protocolo do estudo definiu como desfechos primários a doença residual mínima negativa (DRM) após o tratamento de indução (primeira parte do estudo), e a sobrevida livre de progressão após a segunda randomização (período de manutenção do tratamento). O principal desfecho secundário do estudo foi a sobrevida livre de progressão a partir da primeira randomização. Desfechos secundários adicionais incluíram taxas de resposta completa após a indução e intensificação, sobrevida global e segurança.
Sobre Sarclisa®
Sarclisa® (isatuximabe) está aprovado em mais de 50 países, incluindo Estados Unidos, União Europeia, Japão e China, em várias linhas de tratamento para o mieloma múltiplo (MM).
Com base no estudo de fase 3 ICARIA-MM, o Sarclisa® está aprovado nos EUA, União Europeia e Japão em combinação com pomalidomida e dexametasona para o tratamento de pacientes com mieloma múltiplo recidivado ou refratário (R/R MM) que tenham recebido duas ou mais terapias prévias, incluindo lenalidomida e um inibidor de proteassoma, e tenham recaído na última terapia. Essa combinação também está aprovada na China para pacientes que tenham recebido pelo menos uma linha anterior de tratamento, incluindo lenalidomida e um inibidor de proteassoma.
Com base no estudo de fase 3 IKEMA, o medicamento também está aprovado em mais de 50 países em combinação com carfilzomibe e dexametasona, incluindo os EUA, para o tratamento de pacientes com R/R MM que tenham recebido uma a três linhas de tratamento anteriores, e a União Europeia, para pacientes com MM que tenham recebido pelo menos uma terapia anterior.
Nos EUA, União Europeia, Reino Unido e China, Sarclisa® está aprovado em combinação com VRd como uma opção de tratamento de primeira linha para pacientes com NDMM inelegíveis para o transplante, com base no estudo de fase 3 IMROZ. No Japão, o Sarclisa® está aprovado em combinação com VRd como opção de tratamento de primeira linha independentemente da elegibilidade para o transplante.
Sobre a Sanofi
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Referências
- LINK DOU APROVAÇÃO ANVISA
- The Lancet Haematology. Addition of isatuximab to lenalidomide, bortezomib, and dexamethasone as induction therapy for newly diagnosed, transplantation-eligible patients with multiple myeloma (GMMG-HD7): part 1 of an open-label, multicentre, randomised, active-controlled, phase 3 trial. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanhae/article/PIIS2352-3026(22)00263-0/abstract. Acesso em 05 de agosto de 2025.
- Kazandjian. Epidemiologia e sobrevida do mieloma múltiplo: Uma malignidade única. Semestre Oncol. 2016;43(6):676-681.doi:10.1053/j/seminoncol.2016.11.004.
- Instituto Nacional do Câncer. Fatos estatísticos sobre o câncer de mieloma. Disponível em: www.seer.cancer.gov/statfacts/html/mulmy.html.
- International Myeloma Foundation Latin America. O papel do transplante. Disponível em: https://myeloma.org.br/o-papel-do-transplante/. Acesso em 05 de agosto de 2025.
- Xavier P. Leleu et al., Phase 3 randomized study of isatuximab (Isa) plus lenalidomide and dexamethasone (Rd) with bortezomib versus isard in patients with newly diagnosed transplant ineligible multiple myeloma (NDMM TI).. JCO 42, 7501-7501(2024). DOI:10.1200/JCO.2024.42.16_suppl.7501