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30/06/2021
Economia se recupera rápido e mercado farmacêutico pode crescer 10% este ano e no próximo

As economias brasileira e global estão se recuperando mais rápido do que se previa e o crescimento do mercado farmacêutico no país pode chegar a mais de 10% este ano e em 2022. Ao mesmo tempo, a vacinação está se acelerando e toda a população brasileira poderá estar vacinada com duas doses até dezembro. Estes foram os destaques do Fórum Expectativas 2022, realizado pelo Sindusfarma nesta quarta-feira (30).

Alinhado à retomada da atividade econômica mundial, o PIB brasileiro deve crescer 5% em 2021 e 2% em 2022, estima Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander. Mas essa recuperação traz alguns efeitos colaterais, como o aumento da inflação. Segundo a economista, de um lado, os governos deram estímulos muito fortes que elevaram o consumo de bens e geraram pressões de demanda. De outro, houve quebra e desorganização das cadeias produtivas globais, com elevação de custos de frete, falta de componentes, embalagens etc. “Isso tudo resultou na inflação. Escassez e excesso de demanda vão para o preço”.

Além disso, o Brasil entrou na pandemia com uma dívida crescente e desequilíbrio das contas públicas, fato que aprofundou a crise fiscal. O Brasil gastou o dobro dos países emergentes para fazer frente à pandemia e a dívida atingiu 85% do PIB. As incertezas desse processo e a percepção de risco associada à questão fiscal brasileira resultaram na desvalorização cambial, avaliou Ana Vescovi. Para ela, a percepção do mercado melhorou recentemente, porque a inflação ajuda a acomodar as contas públicas, além do avanço da vacinação e da definição do orçamento federal com a manutenção da regra de teto de gastos. “Isso está gerando esse otimismo no mercado”.

Ana Paula Vescovi se diz cautelosa com a situação da economia, mas acredita que o Banco Central tem condições de manter a inflação sob controle. “Vai ter que puxar a taxa Selic de 2% para 7%”, sugere, mantendo-a em patamar neutro no fim deste ano.

Ao ser perguntada sobre o comportamento do câmbio, a economista-chefe do Santander disse acreditar que a cotação do dólar fique em torno de R$ 5,05 no fim deste ano e R$ 5,55 no fim do ano que vem. “Minha aposta é que o câmbio será menos volátil”. (veja mais em “Reformas”, abaixo)

Medicamentos

Segundo a pesquisa de benchmarking realizada anualmente pelo Sindusfarma, a indústria farmacêutica espera crescer no varejo (Retail) 10,13% este ano e 10,52% no próximo ano. No mercado institucional (Non Retail), as projeções são de crescimento de 12,77% este ano e 10,68% no ano que vem. As empresas estão otimistas com o avanço da incorporação de novas tecnologias no mercado privado e pretendem aumentar os investimentos em marketing digital, o que aponta uma tendência de "cenário híbrido" na visitação médica, informou Fabio Moreira, consultor da Gerência de Inteligência e Business Support do Sindusfarma.

Vendas on-line

Por causa do isolamento durante a pandemia, as farmácias independentes ganharam participação de mercado e a venda de medicamentos on-line dobrou em 2020, com um novo salto nos últimos três meses deste ano, informou Sydney Clark, vice-presidente da consultoria IQVIA. Segundo ele, foi marcante a expansão do mercado farmacêutico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste, muito acima de mercados maduros, como São Paulo. Exemplo: na soma de 12 meses móveis até abril, as vendas cresceram 25,15% na região Norte e 10,48% no Estado de São Paulo.

Clark também chamou a atenção para o ritmo de incorporação de medicamentos no SUS e na Saúde Suplementar. A Conitec aprovou a incorporação de 20 novos medicamentos ao SUS no ano passado (208 produtos foram incorporados desde 2012) e a ANS está analisando a inclusão de 46 medicamentos ao seu Rol de produtos.

O diretor da IQVIA vê um grande potencial de crescimento do mercado farmacêutico nos próximos 20 a 30 anos, alavancado pelo envelhecimento populacional e profundas mudanças epidemiológicas. “É o futuro de um segmento em que a demanda só tende a crescer”. 

Vacinação

O coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo, João Gabbardo, considera viável vacinar toda a população adulta brasileira até setembro deste ano. Segundo ele, o país recebeu, até junho, 146 milhões de doses e outros 172 milhões de doses têm entrega prevista até setembro. Assim, seria possível atingir a meta de 160 milhões de pessoas vacinadas, que corresponde à população brasileira com 18 anos de idade ou mais.

“A expectativa é vacinar toda a população com pelo menos uma dose até setembro e ter a população acima de 18 anos totalmente vacinada [com as duas doses] até dezembro”.

Em São Paulo, já se pode detectar o efeito positivo da imunização na redução de casos de internação e óbito em indivíduos com idade de 70 anos ou mais, disse Gabbardo. Nessa faixa etária, todos os indicadores caíram de janeiro a maio deste ano: 14% menos internações; 27% menos casos de UTI e 13% menos óbitos. “O resultado é muito positivo quando se compara a população vacinada e não vacinada”. (veja mais em “Máscaras”, abaixo)

Crédito

Começa a haver uma normalização do crédito no Brasil e uma grande movimentação no mercado de ações, disse o diretor do Santander André Juaçaba. Até junho, 40 empresas fizeram transações na Bolsa, das quais 27 em oferta pública inicial (IPO) e mais 29 transações foram anunciadas para o segundo semestre. “Há um crescimento mais acelerado este ano. Estamos caminhando para um ano recorde [na Bolsa]”.

Reformas

A economista Ana Vescovi aponta alguns riscos para a economia no ano que vem: a escassez hídrica, que gera um fator altista, o ano eleitoral e o ambiente desfavorável às reformas tributária e administrativa. Mas afirma que, num prazo mais longo, o Brasil vai ter que enfrentar seus problemas estruturais, como o sistema tributário, que leva à improdutividade, e o serviço público, que pode ser melhor e mais produtivo. “O Brasil precisa persistir na agenda de reformas, para garantir que o país tenha crescimento sustentado e consiga promover a inclusão social”, disse.

Desemprego 

Sobre o nível elevado de desemprego, Ana Vescovi prevê uma retomada lenta do mercado de trabalho, porque setores que estão puxando a recuperação econômica – agronegócio e mineração – são bastante mecanizados e não são empregadores. Segundo ela, a reabertura dos serviços e a confiança maior da população na proteção contra a Covid-19 podem ajudar as contratações.

Máscaras

Para João Gabbardo, não é o momento de flexibilizar o uso da máscara, pois ainda não se sabe por quanto tempo a imunidade permanece em indivíduos vacinados ou infectados naturalmente, nem se essas pessoas podem ser transmissoras do vírus para outras pessoas. “A curto prazo não podemos pensar em dispensar o uso de máscaras”.

O coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo acredita que a Covid-19 pode se transformar numa doença endêmica no país, com surtos localizados. “Imagino que vamos ter no Brasil uma presença da doença bastante ativa em 2022; a doença deve vir para ficar”.

Notícia atualizada em 01/07/2021

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