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19/11/2024
ARTIGO: Desigualdades em saúde: os impactos dos determinantes sociais

Por Altamira Simões*

A saúde é um direito necessário, mas não é acessível a todos de maneira equânime. Além dos fatores biológicos e genéticos, existem condições sociais, econômicas e ambientais que afetam significativamente a saúde das pessoas, com destaque para as populações pobres e população negra. Esses fatores são conhecidos como Determinantes Sociais da Saúde (DSS). Este texto tem como objetivo demonstrar o papel dos DSS na saúde, apresentando alguns exemplos e de como eles impactam na vida das pessoas e apontar caminhos que contribuam na melhora dos índices de qualidade vida das populações. A partir do aprofundamento dos estudos, podemos compreender a importância da promoção e prevenção da saúde ser executada de forma integral e interseccional, levando em consideração os territórios e as possibilidades que são oferecidas às pessoas e aos grupos.

A expressão "determinante social da saúde" começou a ganhar destaque na década de 1970, embora o debate de que fatores sociais e econômicos influenciam a saúde remonte há muito antes. O reconhecimento formal e metódico dos determinantes sociais da saúde ocorreu em grande parte como resultado das pesquisas e publicações de vários grupos e indivíduos ao longo das décadas. Aqui, trazemos como referência a década de 70, quando o termo começa a ser utilizado em pesquisas de saúde pública e epidemiologia, particularmente com o trabalho de Michael Marmot, epidemiologista, que analisou como fenômenos sociais, econômicos e comportamentos prejudicam a saúde das populações. Para Marmot, as condições de vida e de trabalho são fundamentais para assegurar uma existência saudável, em seus estudos pode observar que havia diferenças de saúde entre grupos sociais no Reino Unido.

Em 1974, foi publicado pelo governo canadense o Relatório de Lalonde, que é frequentemente citado como um marco inicial que introduziu a ideia de que a saúde não é apenas determinada por fatores biológicos, mas também por fatores sociais, ambientais e de estilo de vida. O relatório sugeria que a saúde pública deveria considerar uma abordagem mais ampla, incluindo a proteção e promoção da saúde em contextos sociais. A expressão "determinantes sociais da saúde" foi consolidada globalmente com o trabalho da Comissão das Determinantes Sociais da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi estabelecida em 2005. O relatório final da comissão, publicado em 2008, destacou a importância de abordar as desigualdades em saúde e forneceu recomendações para melhorar a saúde da população em nível global.

Os DSS são condições sociais, econômicas e ambientais que afetam a saúde das pessoas, desde o nascimento até a morte. Eles incluem, educação, renda e pobreza, habitação digna (com direto à água e saneamento básico), acesso a serviços de saúde, ambiente físico seguro (direito à cidade), relações sociais e políticas públicas com justiça social e equidade.

Na prática, o que pode determinar processos de adoecimento nas pessoas:

  • Famílias que não têm acesso a educação e emprego, têm menos condições de oferecer alimentação diária e saudável para suas crianças;
  • Famílias que moram em áreas de desmatamento, poluição das águas dos rios, do mar, têm maiores riscos de desenvolverem problemas respiratórios;
  • Famílias que residem em áreas com ameaças de violência, sem proteção da segurança pública, têm mais riscos de transtorno de pânico, ansiedade, doenças cardiovasculares;
  • Famílias que residem em áreas que sofrem ações humanas que alteram o ecossistema, como o uso de agrotóxicos, usos de explosivos para pescas, queimadas, têm mais probabilidade de desenvolverem doenças crônicas não transmissíveis, agravar quadros de adoecimentos pré-existentes e até a morte.

Os Determinantes Sociais da Saúde têm um impacto desproporcional e profundo na saúde da população negra, contribuindo para que a injustiça social na saúde se manifeste em várias dimensões. Esses impactos não estão só relacionados à prevalência de doenças, mas no bem viver e expectativa de vida. As barreiras no acesso aos serviços de saúde, incluindo os cuidados preventivos, diagnóstico e celeridade no tratamento das doenças, resultam em altas taxas de morbidade e mortalidade. Outro ponto é a qualidade no atendimento, o preconceito racial, muitas vezes, leva a uma qualidade de atendimento inferior, resultando em falsos diagnósticos ou atrasados e tratamentos inadequados. Experiências de discriminação e racismo podem levar ao agravo da saúde mental, desencadeando depressão, tristeza profunda. Compreender esses impactos é essencial para assegurar e defender ações eficazes que promovam igualdade em saúde e abordem as desigualdades existentes. A integração de estratégias que considerem os determinantes sociais é fundamental para melhorar a saúde pública e o bem-estar.

Concluindo, os Determinantes Sociais da Saúde são fundamentais para entender a saúde da população. É essencial abordar esses fatores para melhorar a saúde e reduzir as desigualdades em saúde. Políticas públicas e intervenções eficazes podem fazer a diferença na vida das pessoas. É nosso desafio trabalhar juntos para criar uma sociedade mais saudável e equitativa, e é nessa direção, de promover o debate, de estimular as empresas que compõem a indústria farmacêutica, que o Sindusfarma tem sido um aliado, através dos Comitês de Diversidade e Inclusão, criados em 2020. O Sindusfarma reconhece que as questões sociais, a luta contra o racismo, contra o preconceito e todas as formas de violações de direitos humanos são responsabilidade de toda sociedade.

(*) Altamira Simões é consultora do Grupo de Diversidade do Sindusfarma.

 

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