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05/06/2026
ARTIGO: Descarte correto de medicamentos: uma responsabilidade compartilhada que protege a saúde e o meio ambiente

Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é sempre uma oportunidade para refletirmos sobre as ações que contribuem para a preservação dos recursos naturais e a promoção da saúde. Entre elas, destaca-se o descarte correto de medicamentos vencidos ou em desuso, uma prática fundamental para evitar a contaminação do solo e da água e reduzir riscos sanitários. Nesse contexto, a logística reversa tem se consolidado como uma importante ferramenta para garantir a destinação adequada desses resíduos e fortalecer uma cultura de sustentabilidade e responsabilidade compartilhada.

No artigo a seguir, Diego Paludetti, gerente de Qualidade e Meio Ambiente do Sindusfarma, destaca os avanços alcançados pelo Programa Setorial LogMed desde a regulamentação da logística reversa de medicamentos no Brasil. O autor apresenta os resultados do sistema, além de abordar a importância da conscientização da população, da educação ambiental e do engajamento de todos os envolvidos para fortalecer o descarte consciente e ampliar os benefícios ambientais e sociais da iniciativa.

Leia o artigo na íntegra:


Descarte correto de medicamentos: uma responsabilidade compartilhada que protege a saúde e o meio ambiente

Por Diego Paludetti*

O descarte inadequado de medicamentos vencidos ou em desuso ainda é um desafio pouco percebido pela maior parte da população brasileira. Com frequência, comprimidos, cápsulas, xaropes e outros produtos farmacêuticos são descartados no lixo comum ou lançados na rede de esgoto sem que seus potenciais impactos ambientais e sanitários sejam plenamente compreendidos.

Embora esse comportamento muitas vezes ocorra por falta de informação, suas consequências são concretas. Medicamentos contêm substâncias desenvolvidas para produzir efeitos biológicos específicos e, quando descartados incorretamente, podem atingir o solo, os corpos d'água e os sistemas de tratamento de esgoto, contribuindo para a contaminação ambiental e ampliando riscos à saúde pública.

Neste contexto, o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, também marca uma data importante para o setor farmacêutico brasileiro: o aniversário da publicação do Decreto nº 10.388/2020, que regulamentou o sistema de logística reversa de medicamentos domiciliares de uso humano, vencidos ou em desuso, e de suas embalagens. A medida representou um marco para a gestão sustentável desses resíduos no país e consolidou um modelo de responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e poder público.

Desde então, o Programa de Logística Reversa de Medicamentos Domiciliares de Uso Humano, Vencidos ou em Desuso, e suas Embalagens (Programa Setorial LogMed) vem desempenhando papel fundamental na implementação desse sistema em todo o território nacional. Criado para estruturar e operacionalizar a logística reversa prevista na legislação, o programa alcança atualmente cerca de 135 milhões de brasileiros, com mais de 8 mil pontos de coleta distribuídos em aproximadamente 780 municípios de todos os estados e do Distrito Federal.

Os resultados demonstram a relevância dessa iniciativa. Desde o início de sua operação, o sistema já possibilitou a destinação ambientalmente adequada de mais de 2,5 mil toneladas de medicamentos vencidos ou em desuso e suas embalagens, evitando que esses resíduos fossem descartados de forma inadequada no meio ambiente. Somente em 2025, o programa já registra novo recorde anual de recolhimento, evidenciando o crescimento da adesão e da conscientização da população.

Mais do que números, esses resultados representam a redução de riscos ambientais, a prevenção de acidentes e o fortalecimento de uma cultura de descarte responsável. Eles demonstram também que a logística reversa deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se consolidar como uma importante ferramenta de sustentabilidade e proteção da saúde coletiva.

Entretanto, os avanços alcançados não eliminam a necessidade de ampliar o conhecimento da sociedade sobre o tema. Ainda existe uma parcela significativa da população que desconhece a existência dos pontos de coleta disponíveis em farmácias e drogarias participantes, ou que não sabe exatamente quais materiais podem ser descartados nesses locais.

Por isso, a educação ambiental continua sendo um dos pilares mais importantes para o sucesso da logística reversa. Quanto maior o acesso à informação, maior a participação dos cidadãos e mais eficiente se torna o sistema. A destinação adequada dos medicamentos não é apenas uma questão operacional ou legal, mas trata-se de um compromisso com a preservação ambiental, a segurança sanitária e a construção de uma sociedade mais consciente.

O Brasil possui hoje uma estrutura robusta e em expansão, construída por meio da cooperação entre indústria farmacêutica, distribuidores, varejo e órgãos públicos. O desafio que se apresenta agora é ampliar o engajamento da população e fortalecer uma cultura permanente de descarte consciente.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, vale lembrar que pequenas atitudes individuais geram impactos coletivos relevantes. Ao destinar corretamente medicamentos vencidos ou em desuso, cada cidadão contribui para a proteção dos recursos naturais, para a redução de riscos à saúde pública e para a sustentabilidade do país.

O futuro da saúde também passa pelo cuidado com aquilo que sobra após o tratamento. E esse é um compromisso que pertence a todos nós

(*) Diego Paludetti é Gerente de Qualidade e Meio Ambiente do Sindusfarma

 

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