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Planejar o futuro em um cenário de transformações aceleradas exige informação qualificada e visão estratégica. Com esse objetivo, o Sindusfarma realizou nesta terça-feira (16/06) o Fórum Expectativas 2027, iniciativa voltada a apoiar executivos da indústria farmacêutica no planejamento para o próximo ano.
O encontro reuniu lideranças do setor e especialistas para debater projeções econômicas, perspectivas de crescimento do mercado, inflação, reajuste de preços, ambiente regulatório e as tendências que podem influenciar os negócios em 2027.
Na abertura do evento, o Presidente-executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, destacou a importância de antecipar análises e cenários para subsidiar as decisões corporativas.
“A gente sabe que a partir de agosto, algumas empresas começam a fazer seus planejamentos para o ano seguinte e esse fórum foi criado justamente para isso, para darmos um pouco de perspectiva de como as empresas devem preparar os orçamentos para o futuro”, afirmou.
Fabio Moreira, gestor da área Educacional e Inteligência de Mercado do Sindusfarma, reforçou o papel do fórum como ferramenta de apoio às associadas. “Esse Fórum é uma prestação de serviços que a gente faz para as empresas poderem se organizar, não só para terminar 2026, mas também para planejar 2027. Os executivos contaram com diferentes perspectivas, e saem hoje muito mais bem preparados para se planejarem dentro das suas organizações”, destacou.
Expectativas da Indústria Farmacêutica
Um dos destaques do encontro foi a apresentação dos resultados da Pesquisa Expectativas da Indústria Farmacêutica 2026-2027, conduzida pela Central de Pesquisas do Sindusfarma com a participação de 64 empresas que representam cerca de 50% do mercado farmacêutico brasileiro.
O levantamento apontou uma percepção positiva em relação ao desempenho da economia nacional. As empresas consultadas projetam crescimento de 2,97% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2026 e de 3,42% em 2027.
Os participantes também demonstraram confiança em fatores como avanço tecnológico, recuperação do emprego, expansão econômica e evolução do ambiente regulatório. No campo político, 57% das empresas indicaram um nível moderado de otimismo em relação ao cenário no país.
Inflação segue no radar
Responsável pela análise macroeconômica do evento, o sócio e estrategista do BTG Pactual, João Scandiuzzi, apresentou os principais fatores que devem influenciar a economia global e brasileira no próximo ano. Entre os temas destacados estiveram os conflitos geopolíticos, os investimentos em inteligência artificial, a trajetória da inflação, as eleições brasileiras e mudanças estruturais no mercado de trabalho.
“Hoje a gente vê um cenário internacional construtivo, com bastante crescimento no mundo. A gente vê essa questão da evolução da inteligência artificial como algo positivo e que tem gerado um suporte para o crescimento global”, afirmou.
Sobre o Brasil, Scandiuzzi observou que o país mantém uma trajetória de crescimento, embora alguns indicadores exijam atenção. “No Brasil, a gente também vem observando crescimento, um mercado de trabalho apertado. A inflação voltou a estar ligeiramente mais pressionada na margem, não é um cenário caótico como no ano passado, mas que preocupa e que deve levar a política monetária um pouco mais apertada”, disse.
O especialista também ressaltou a relevância da agenda fiscal para a estabilidade econômica e para uma eventual redução mais consistente dos juros. “E a grande questão, acho que é a médio prazo, que poderia possibilitar uma queda de juros mais importante, é a gente ter um arcabouço fiscal que leve justamente a uma perspectiva de estabilização da dívida pública”, destacou.
Mercado farmacêutico deve crescer 10%
As perspectivas para a indústria farmacêutica foram apresentadas por Sydney Clark, vice-presidente da IQVIA para a América Latina. Segundo ele, o envelhecimento populacional e o aumento da demanda por cuidados de saúde continuam impulsionando o crescimento do setor.
“Eu acho que cada vez mais a nossa população envelhece, a demanda por soluções de saúde cresce e temos uma expectativa de crescimento da ordem de 10% para o gasto com medicamentos e cada empresa tem que estar pensando aí no seu portfólio, porque esses 10% podem ser mais ou menos, dependendo do seu mix de produtos”, afirmou.
Clark chamou atenção para a necessidade de adaptação das empresas diante das transformações em curso no mercado. “É um mercado que a gente está com muita mudança regulatória, muita mudança no varejo, mudança no mercado institucional e cada empresa tem que customizar muito bem a sua estratégia para conseguir estar bem antenada a essas mudanças e capturar as oportunidades”, explicou.
Ao reunir projeções econômicas e perspectivas para o mercado farmacêutico, o Fórum Expectativas 2027 reforçou seu papel como uma importante ferramenta de apoio à tomada de decisão das empresas do setor. A iniciativa contribuiu para que executivos tenham mais subsídios para planejar investimentos e definir estratégias para o próximo ano. O evento foi uma realização do Sindusfarma, com o patrocínio da Sertrading e da Afya.
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