Omilton: "Nova sede prepara entidade para atender às demandas presentes e futuras da indústria farmacêutica"
Ao encerrar sua gestão à frente do Conselho Diretor do Sindusfarma na gestão 2022-2024, Omilton Visconde Jr. disse que a nova sede da entidade é uma retribuição em serviços e qualidade de atendimento às empresas associadas, preparando-a para atender às demandas presentes e futuras da indústria farmacêutica". Ele falou na cerimônia de posse da Diretoria para o triênio 2025-2027, realizada na noite de segunda-feira (17), no auditório da nova sede do Sindusfarma, em São Paulo:
Omilton discursou durante a cerimônia de posse da Conselho Diretor da entidade
Meus amigos e minhas amigas,
Boa noite.
Sejam bem-vindos à nova e linda sede do Sindusfarma.
Esta cerimônia é muito especial e emocionante para mim.
Encerro hoje meu ciclo na presidência do Sindusfarma com a sensação de dever cumprido. Foi um ciclo longo, de cinco mandatos não consecutivos. Ciclo que, neste último período – de 2019 a 2024 – foi particularmente desafiador, por causa da pandemia e das turbulências que marcaram a gestão pública do país na área da saúde.
A indústria farmacêutica entregou o que se esperava dela. Salvou vidas!
Entregou as ansiadas vacinas para conter a Covid-19. Entregou os medicamentos hospitalares indispensáveis para que os valorosos profissionais da saúde pudessem tratar e curar milhões de pacientes dessa terrível enfermidade.
Durante a pandemia, o Sindusfarma esteve na linha de frente da articulação setorial e da interlocução com Anvisa, Ministério da Saúde, Congresso Nacional e lideranças da Saúde, evitando assim que problemas decorrentes da crise sanitária e econômica nacional e internacional (suprimento de insumos, desarranjos de produção e logística etc.) prejudicassem, ainda mais, a população e o sistema de saúde público e privado.
Exercendo sua permanente vocação de dialogar e formular propostas e alternativas que melhorem o ambiente de negócios da cadeia industrial farmacêutica e ampliem o acesso da população à saúde, o Sindusfarma atuou com determinação e eficácia em prol desse objetivo, anseio maior da sociedade brasileira.
Entre outras ações, o Sindusfarma fortaleceu e modernizou sua estrutura, com o objetivo de elevar ainda mais sua reconhecida capacitação técnica e promover uma interlocução ainda mais efetiva e proativa com autoridades, políticos, especialistas e a sociedade em geral.
Na prática, o Sindusfarma aprofundou aquilo que está no DNA da entidade e caracteriza sua longa e rica trajetória: disseminar o conhecimento sobre a realidade operacional, tecnológica e sanitária da indústria de medicamentos, no sentido de mostrar a importância estratégica para o país de um mercado farmacêutico competitivo e sustentável, e sua inegável contribuição para o bem-estar da população e o progresso do Brasil - faceta que ainda é incompreendida por muitos.
Hoje, a indústria farmacêutica que atua no país é importante, é resiliente, é excelente.
Como empreendedor e líder setorial vivi as grandes transformações da cadeia produtiva farmacêutica instalada no Brasil neste último quarto de século.
O setor cresceu exponencialmente nessa quadra, graças à competência, ao talento e ao arrojo das empresas nacionais e internacionais que sempre acreditaram no potencial econômico do país e sempre estiveram comprometidas com a promoção da saúde da sociedade brasileira.
Participei ativamente da introdução dos medicamentos genéricos no país, processo virtuoso que abriu o caminho para que dezenas de milhões de brasileiros tivessem acesso a produtos essenciais para sua saúde.
Sou testemunha da revolução terapêutica em curso desde o advento dos modernos medicamentos de síntese química e biotecnológicos, que vêm elevando a longevidade e melhorando a qualidade de vida das pessoas no Brasil e no mundo.
Essas grandes conquistas, no entanto, não têm sido alcançadas sem obstáculos e incompreensões.
Várias questões ainda precisam ser resolvidas, como a modernização das regras de precificação de medicamentos, a flexibilização do controle de preços, o modelo de incorporação e financiamento das terapias avançadas, e a fiscalização efetiva da dispensação de medicamentos sujeitos a prescrição médica.
É importante lembrar que o período de liberdade de preços no fim dos anos 1990 foi decisivo para a construção e consolidação do moderno parque industrial farmacêutico que existe hoje no país, nivelado aos melhores do mundo.
Uma correta regulação de preços é fundamental para criar as condições necessárias para que as indústrias farmacêuticas instaladas no Brasil invistam mais em inovação radical e incremental.
A Reforma Tributária sancionada recentemente alivia a carga tributária dos medicamentos. Tende de fato a contribuir para ampliar o acesso, mas poderia ter sido melhor para o consumidor.
Principalmente se tivesse sido adotada a alíquota zero de tributação para todos os medicamentos – tese que o Sindusfarma há muito defende. De todo modo, a isenção de 100% nas compras governamentais é um avanço inegável.
Paralelamente, está sendo implementada a estratégica iniciativa do Ceis (Complexo Econômico-Industrial da Saúde), que coloca em evidência a importância da cooperação público-privada na área da saúde, e se conecta com o papel da propriedade intelectual e da transferência de tecnologia.
E há uma questão maior, que o país precisa resolver de uma vez por todas: a falta de segurança jurídica, que tolhe e até inviabiliza os planos das empresas, prejudicando a atividade econômica e, consequentemente, a geração de riqueza e o progresso da sociedade brasileira.
Como se sabe, não há país desenvolvido sem uma indústria forte. E a cadeia produtiva farmacêutica está na vanguarda de qualquer processo estruturado de modernização tecnológica e inovação.
Mas, infelizmente, como escrevi em artigo publicado recentemente na Folha de S.Paulo, o Brasil tem lá suas mazelas. O título do artigo é explícito: “Falta vergonha na cara para este país”.
Em quase tudo a degradação moral é um traço comum, escrevi.
Do quebra-galho ao ‘deixa comigo’, tudo é a mais pura enganação. Criamos uma cultura única, expressa na famosa frase do grande Gerson “Eu gosto de levar vantagem em tudo”, talvez a única ‘lei’ que pegou no Brasil sem estar no Código Civil nem no Código Penal.
Em todas as esferas de poder a promiscuidade se estruturou e perdemos a vergonha de praticá-la. Nos queixamos dos políticos e esquecemos que a política é moldada e organizada por nós. O atual nível dos homens públicos, com honrosas exceções, equivale ao nosso como sociedade.
É claro que a sociedade brasileira produz muita coisa boa, tem muita gente competente e ética, mas parece ser uma minoria silenciosa que se omite e segue seu rumo. É frustrante ser brasileiro, e o tapinha nas costas usual não é remédio que funcione; ao contrário, nossa complacência é alimento para nossas mazelas.
Grandes conglomerados e riquezas são erigidos com base no toma lá dá cá com o poder.
Concluí meu artigo afirmando que empreender de forma séria e correta é um ato de heroísmo desgastante no Brasil.
Sim, estou pessimista com a situação atual e os valores que orientam o Estado e a sociedade brasileira. Mas, em homenagem à memória de meu pai – meu maior mentor -, quero deixar uma mensagem de esperança em nossa capacidade de mudar radicalmente esse quadro. Lutador e otimista com o Brasil, ele acreditava que seus netos viveriam em um país melhor. Tomara!
No momento em que termino meu ciclo na presidência do Conselho do Sindusfarma, quero agradecer eternamente o apoio e a confiança em mim depositados pelas empresas associadas e por meus colegas de Diretoria, 12 membros titulares e 12 suplentes sem os quais as grandes conquistas desta gestão não teriam sido alcançadas.
Hoje, estou feliz. Encerro meu mandato em um momento venturoso e oportuno para toda a indústria farmacêutica.
Aqui no Sindusfarma temos uma relação extraordinária entre os executivos. Temos uma boa relação com outras entidades.
E é claro que esse edifício novo, tão moderno, tão representativo, é um marco importante da gestão, não só meu, mas de todos os diretores do último triênio.
Sem dúvida, a nova sede coloca o Sindusfarma numa posição muito mais sólida e importante.
A nova sede nada mais é do que uma retribuição em serviços e qualidade de atendimento às empresas associadas; nada mais é do que estarmos preparados para atender às demandas presentes e futuras da indústria farmacêutica.
Quero deixar uma mensagem de agradecimento a toda estrutura organizacional do Sindusfarma, sem exceção. E em especial ao senhor Nelson Mussolini, nosso tocador de obras, a cara da indústria, que tem sido um defensor hercúleo do setor em todas as frentes.
Conclamo as novas gerações a participarem mais das entidades de classe. Precisamos renovar as lideranças do setor. A gente precisa ter sangue novo, e o sangue novo vem das novas gerações.
Continuarei participando da Diretoria do Sindusfarma. Para mim é sempre uma honra. O Sindicato transcende uma entidade comum; ele tem praticamente 100 anos e a gente construiu com muita integridade. A integridade do Sindusfarma é seu principal atributo, muito mais do que qualquer outra característica.
Cleiton, meu grande amigo, amigo mesmo, conte comigo sempre. Sucesso renovado!