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18/02/2025
Cleiton: “Transformar o Brasil num grande centro internacional de inovação em Saúde”

"O Brasil precisa deixar de ser apenas um grande exportador de commodities e produtos agrícolas e agroindustriais e formular estratégias que o façam ocupar também uma posição de destaque no mercado global da inovação – especialmente no campo da saúde", disse o presidente do Conselho Diretor do Sindusfarma, Cleiton de Castro Marques, na cerimônia de posse da gestão 2025-2027, realizada na noite de segunda-feira (17), no auditório da nova sede do Sindusfarma, em São Paulo:

Cleiton discursou durante a cerimônia de posse do Conselho Diretor da entidade

Caros amigos e caras amigas, 

É uma honra tê-los aqui conosco esta noite.
 
Minha mensagem é de esperança. 
 
Esperança em nossa capacidade de tirar proveito do considerável cabedal tecnológico e de conhecimentos acumulado nos últimos 25 anos pela indústria farmacêutica instalada no país, e sua cadeia produtiva, para transformar o Brasil num grande centro internacional de inovação em Saúde.
 
As bases, os alicerces já existem. De um lado, grandes empresas farmacêuticas nacionais se constituíram e ganharam musculatura com a curva de aprendizado propiciada pelos medicamentos genéricos e hoje têm foco estratégico e investem cada vez mais em pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores.
 
De outro, grandes empresas farmacêuticas internacionais mantêm operações importantes e têm planos ambiciosos no país, considerando o potencial do sistema de saúde, o tamanho da economia e as oportunidades que uma população enorme e diversificada oferecem.
 
Ou seja, o forte mercado farmacêutico brasileiro – público e privado – e o maduro polo produtivo e de P&D que já possuímos aqui permitem sonhar com voos mais altos.
 
O Brasil precisa deixar de ser apenas um grande exportador de commodities e produtos agrícolas e agroindustriais – o que é ótimo - e formular estratégias que o façam ocupar também uma posição de destaque no mercado global da inovação – especialmente no campo da saúde.
 
Em termos de valor agregado, é fácil demonstrar o sentido (e os ganhos) de investir em pesquisa e desenvolvimento: cada vagão de minério de ferro exportado equivale hoje à importação de dois celulares.
 
Ou seja, investir em inovação é investir na geração de riqueza, em capacitação – e, no caso dos medicamentos, em qualidade de vida.
 
No estágio atual da indústria farmacêutica instalada no país, estou convicto de que a inovação é o caminho natural e desejável a seguir.
 
Não sem riscos. Afinal, riscos fazem parte de qualquer projeto.
 
Posso dar meu exemplo pessoal de empreendedor: obtivemos sucesso com produtos que resultaram de P&D. Também perdi dinheiro, com projetos que fracassaram na fase 3. Fazendo um balanço, afirmo que o saldo foi positivo. Valeu, vale a pena trilhar essa rota. 
 
O Brasil precisa avançar nesta direção, como têm demonstrado as economias que mais cresceram nas últimas décadas e hoje disputam a primazia tecnológica em várias áreas.
 
Penso que o foco inicial desse processo na área de medicamentos deva ser o estímulo à inovação incremental. É pouco provável que uma empresa passe diretamente para uma inovação radical sem fazer antes a incremental.
 
Mas, para que a dinâmica da inovação incremental na indústria farmacêutica ganhe tração, é preciso resolver uma questão que me parece insolúvel no Brasil: a precificação de medicamentos.
 
Valho-me de minha própria experiência para afirmar que se trata de uma questão crônica cuja solução não depende deste ou daquele governo ou burocrata: é uma grave distorção de sistema que se instalou há tempos e o do qual o país não consegue se livrar. 
 
É um problema arraigado de mentalidade, fruto da concepção distorcida que se tem sobre a formação de preços em geral no Brasil.
 
Lembro de que, quando tinha 17 anos de idade, costumava ir ao Conselho Interministerial de Preços (CIP), para discutir preços de medicamentos; hoje, aos 67, - 50 anos depois, continuo discutindo preços.
 
É preciso rever conceitos, renovar o arcabouço regulatório do mercado de medicamentos no Brasil, modernizar as regras de fixação de preços e de revisão de preços quando necessário.
 
 E a precificação dos medicamentos originários de inovação incremental é um dos grandes problemas a serem resolvidos, se queremos enveredar de fato no promissor terreno da inovação em saúde.
 
Outro aspecto importante para a inserção do país no mercado global da inovação farmacêutica é a harmonização regulatória e o intercâmbio de documentações e dossiês.
 
Neste particular, o trabalho da Anvisa tem sido excepcional e vem recebendo um justo reconhecimento internacional. 
 
Por exemplo, no nosso caso, o recente acordo firmado pelo PIC/S já permitiu que nossas fábricas instaladas no Brasil, inspecionadas e certificadas pela Anvisa, fossem aprovadas pela autoridade reguladora de medicamentos canadense.
 
Medidas como esse acordo de intercâmbio de informações técnicas e de relatórios de inspeção de boas práticas de fabricação de medicamentos são fundamentais para azeitar o circuito da inovação e abrir novos mercados para as indústrias farmacêuticas que atuam no Brasil.
 
Temos que aproveitar essa e outras oportunidades para impulsionar o processo de inovação.
 
Cabe, portanto, aplaudir a atuação da Anvisa, que ano após ano vem aprimorando seus conceitos e processos, apesar de enfrentar sérios obstáculos como a falta de pessoal e infraestrutura insuficiente para dar conta de tarefas que só aumentam.
 
Ao mesmo tempo, cabe cobrar que o governo invista mais na Anvisa, forneça ao órgão os recursos materiais e humanos que lhe permitam exercer plenamente sua missão de ser uma agência de desenvolvimento da saúde – isto é, vetor de crescimento dos setores regulados e de bem-estar da população brasileira. Precisamos manter o alto padrão regulatório.
 
Por isso, o Sindusfarma vai redobrar seu compromisso histórico de proteger a Anvisa contra interferências que afetem esses avanços – muitas delas gestadas no âmbito do próprio governo.
 
Vamos igualmente continuar e reforçar nossa profícua interlocução com o Ministério da Saúde e todas as instâncias governamentais com as quais a indústria farmacêutica já tem ou precisa ter sinergia.
 
Pois bem, aqui estamos nesta nova e maravilhosa sede do Sindusfarma. Lembro do passado, da sede na Rua dos Ingleses, do Livro de Ouro...
 
Um edifício que está em sintonia com as novas perspectivas e os horizontes alargados com os quais o Conselho Diretor que inicia hoje seu triênio de gestão quer orientar o Sindusfarma.
 
Pretendemos inaugurar um novo ciclo de expansão de atividades e serviços prestados pelo Sindusfarma às empresas associadas, preservando e aprofundando as expressivas conquistas acumuladas nos últimos anos e durante sua longa e exitosa trajetória.
 
Vamos investir mais recursos e vigor renovado na defesa dos temas estratégicos da indústria farmacêutica e sua cadeia produtiva.
 
Vamos incrementar a realização de estudos que refinem os argumentos e fundamentos de nossos principais pleitos.
 
Vamos trabalhar pelo reajuste dos valores de referência do Programa Farmácia Popular – que desde o seu início nunca tiveram reajuste; ao contrário, foram reduzidos -, e dialogar com o governo para fortalecer essa política de Estado vencedora.
 
Vamos enfrentar questões delicadas, como o desvio de finalidade das farmácias de manipulação.
 
A pauta é extensa. 
 
Mas eu e meus colegas de Conselho Diretor estamos preparados para conduzi-la com força e determinação.
 
Mãos à obra!
 
Muito obrigado.
 
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