Notícias

Compartilhe:
25/09/2025
Novo diretor-presidente da Anvisa detalha prioridades da gestão
Em entrevista que encerrou a IV Cúpula Brasileira de Inovação em Saúde, em São Paulo, Leandro Safatle destacou duas frentes: normalizar as filas de registro de medicamentos e posicionar a Anvisa como facilitadora da inovação no país.
No evento, Leandro Safatle (Anvisa) participou de forma remota, ao lado de Natália Cuminale, Nelson Mussolini e Eduardo Emrich
O encerramento da IV Cúpula Brasileira de Inovação em Saúde, realizado ontem no Villa Blue Tree, em São Paulo (SP), foi marcado por uma entrevista exclusiva com Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, que abordou os avanços e os desafios da regulação para a inovação em saúde no Brasil.
 
Na conversa, mediada por Natalia Cuminale, fundadora e CEO do portal Futuro da Saúde, pelo presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, e por Eduardo Emrich, presidente e CEO da Biominas, Safatle participou de forma virtual devido à primeira reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa (Dicol) ter acontecido no mesmo dia, com a presença dos cinco diretores efetivos — algo que não ocorria há quase dois anos.
 
Do telão, Safatle abriu a entrevista ressaltando a importância da retomada da reunião que o impediu de viajar a São Paulo. “Foi um marco simbólico. Precisamos recuperar a autoestima dos servidores e trabalhar juntos”, disse, emendando a apresentação dos dois pontos prioritários de sua gestão: resolver as filas de registro de medicamentos na Anvisa e avançar no processo de inovação.
 
“Temos uma série de mudanças importantes a fazer, mas resolver a questão das filas é a ação que elegemos como imediata. Ela precisa voltar ao padrão de normalidade. É uma situação complicada que envolve mecanismos de gestão, aumento de pedidos, retração do número de servidores nos últimos anos, entre outros problemas, mas vamos trabalhar para solucioná-la”, afirmou.
 
O segundo eixo, apontou, olha para o futuro. “A Anvisa tem de ser uma facilitadora do desenvolvimento tecnológico do país. Esse é o legado desta gestão. Estamos falando de pesquisa, investimentos e empregos. A indústria nacional cresceu muito e avançou. A entidade tem de estar pronta para lidar com as inovações desenvolvidas no Brasil”, pontuou Safatle.
 
Ele lembrou que há questões estruturais por trás dessas ambições, como a necessidade de ampliar a força de trabalho e reestruturar o corpo técnico. Apesar de informar que o processo de contratação de novos servidores já foi iniciado, Safatle enfatizou que será preciso uma reformulação orçamentária para viabilizar investimentos e elevar a produtividade. “É um conjunto de ações que envolvem infraestrutura, política de RH, termos de governança, entre outros, mas sempre garantindo à população brasileira segurança e eficácia, porque é isso que traz a legitimidade da Anvisa”, explicou.
 
O presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, recordou momentos de parceria com Safatle no passado, quando ele ocupava cargos de alto escalão no serviço público. “Nós enfrentamos uma greve de motoristas de caminhão e não deixamos faltar saúde. Falo no plural porque fizemos isso juntos: ele apontando onde estavam os problemas e eu conversando com a indústria para conseguir prover saúde, que é o nosso papel”, contou.
 
“Nas enchentes que castigaram o Sul do país, nós também fizemos um trabalho exemplar, o que mostra que é possível unir governo e setor privado para resolver um problema sério de abastecimento, como garantir que os medicamentos cheguem à população, mesmo diante de grandes dificuldades”, lembrou o atual diretor da Anvisa.
 
Ao comentar as prioridades da nova gestão, Mussolini ponderou que não basta contratar novos servidores: é indispensável modernizar processos — e colocou-se à disposição para apoiar essa agenda. “O Sindusfarma, a indústria farmacêutica, tem todo o interesse em ajudar financeiramente a Anvisa a atualizar seus processos. Não podemos ser um país que está na primeira onda de lançamento de todos os medicamentos e ficar para trás porque o registro só sai quase dois anos depois de o FDA já ter liberado”, afirmou.
 
Mussolini e Safatle destacaram, ainda, que o governo brasileiro tem restrições para receber ajuda do setor privado, mas lembraram que, quando a colaboração ocorre de forma adequada, como nos casos citados, quem ganha é a sociedade brasileira.
 
Voltar
Subir ao Topo