Notícias

Compartilhe:
28/09/2025
Regras e fiscalização deficientes permitem mercado ilegal

A entrada de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) no país por classificações indevidas e de qualidade duvidosa e a produção de medicamentos não aprovados são um dos desafios enfrentados pelo ecossistema de inovação em saúde no Brasil. 

"Os desafios e aprendizados para desenvolver e introduzir novos produtos no mercado brasileiro" foi o tema debatido por Rosana Mastellaro (Sindusfarma), Iran Gonçalves (EMS), Glauco Marques (Marjan), Tatiana Ribeiro (Centroflora) e Ricardo Campello (Attorneys)

“Há uma concorrência desleal”, afirmou Tatiana Ribeiro, gerente de Assuntos Regulatórios no Grupo Centroflora, durante a IV Cúpula Brasileira de Inovação em Saúde, realizada nos dias 23 e 24, em São Paulo (SP). Também participaram da mesa Glauco Marques, head de Inovação na Marjan Farma; Iran Gonçalves, diretor médico da EMS, e Ricardo Campello, da banca Licks Attorneys.

Produtos não legalizados são comercializados com regras diferentes dos industrializados, desmotivando o investimento em desenvolvimento. Há casos de espécies brasileiras vendidas como “medicina tradicional chinesa”, por exemplo, mascarando a origem, evitando obrigações regulatórias e burlando a repartição de benefícios da biodiversidade. 

O desrespeito às normas da Anvisa, aliado à fiscalização deficiente do órgão regulador, abre caminho para a venda de medicamentos fitoterápicos, suplementos e medicamentos manipulados que não respeitam a complexidade e exigências de registro (estudos de estabilidade, segurança e eficácia), o que confunde e põe em risco a saúde dos consumidores. Comercializados geralmente em marketplaces, podem trazer riscos à saúde pública. “Hoje, existe aquela farmácia amplamente pulverizada, que faz uma opção mais barata de um produto aprovado, o que acaba sendo concorrência desleal”, afirmou Ricardo Campello, do Licks Attorneys.

O diretor médico da EMS, Iran Gonçalves, ressaltou a necessidade de agilidade da Anvisa. Ele destacou que esse avanço não pode ser desvalorizado pela concorrência desleal. “A EMS investiu 1 bilhão de reais, ao longo de 10 anos, no projeto dos peptídeos e, em dezembro de 2024, obteve o registro da liraglutida pela Anvisa, reafirmando nosso compromisso em ampliar o acesso dos pacientes a produtos inovadores. Não pode haver competição equivalente por parte das farmácias de manipulação”, afirmou.

Glauco Marques, Head de Inovação na Marjan Farma, lembrou que a grande oportunidade da indústria farmacêutica nessa questão é o contato direto com médicos. “A força de vendas tem um papel muito importante nisso. A proximidade junto ao prescritor do dia a dia é muito importante para preencher as lacunas e favorecer a ciência”.

Leia também:


Notícia atualizada em 06/10/2025 às 14h30

Voltar
Subir ao Topo