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21/05/2026
Brasil avança em pesquisa clínica e busca consolidar posição entre os líderes globais do setor
 
O Brasil vive um momento estratégico para ampliar sua relevância internacional em pesquisa clínica e inovação em saúde. Essa foi uma das principais conclusões do primeiro dia do Workshop "Pesquisa Clínica: Inovação, Regulação e Pacientes", promovido pela Green Rock, gestora independente de Venture Capital e Private Equity, com apoio do Sindusfarma, Abiquifi, Abracro e Interfarma, dentro da programação da Semana da Pesquisa Clínica no Brasil.
 
O encontro reuniu no auditório do Sindusfarma representantes do governo, da indústria farmacêutica e do setor de investimentos para debater avanços regulatórios e iniciativas estratégicas voltadas ao fortalecimento da competitividade brasileira no segmento. As discussões evidenciaram também a convergência de esforços para transformar o potencial do país em oportunidades concretas de desenvolvimento, inovação e ampliação do acesso à saúde.
Nelson Mussolini destacou o avanço da pesquisa clínica e a descentralização de centros de pesquisa no país
STF ameaça avanços da lei de pesquisa clínica
 
Na abertura do evento, o presidente-executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, destacou o cenário promissor para o avanço da pesquisa clínica no país.
 
"Esta é uma pauta extremamente importante. Observamos um movimento de descentralização da pesquisa clínica, com novos pesquisadores e centros surgindo em regiões como o Sul e o Nordeste e ganhando protagonismo nacional. Esse processo amplia o acesso da população a terapias inovadoras e contribui para a disseminação do conhecimento e da tecnologia no Brasil", afirmou.
 
Mussolini ressaltou ainda os impactos positivos da Lei 14.874/2024, que regulamenta a pesquisa clínica no país e prevê redução nos prazos de análise de projetos. Apesar disso, alertou que a contestação da legislação no Supremo Tribunal Federal (STF) gera insegurança jurídica e eleva os riscos para investimentos no setor.
 
Brasil pode figurar entre os dez maiores mercados globais de pesquisa
 
O CEO da Green Rock, Ricardo Salomão, afirmou que, segundo estudo da IQVIA, o Brasil deverá integrar o grupo dos dez principais mercados globais de pesquisa clínica nos próximos cinco anos. Para ele, esse cenário reforça a importância da integração entre capital público, representado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e pelo Ministério da Saúde, e investimentos privados, como fundos e investidores, para impulsionar o setor em um ambiente marcado pelo avanço regulatório e pela ampliação dos aportes na área.
Meiruze afirmou que o Brasil vive um momento de maturidade regulatória
Maturidade institucional e regulatória impulsionam o setor
 
A diretora de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Meiruze de Freitas, participou remotamente do evento e destacou o papel da pasta no fortalecimento da inovação farmacêutica em âmbito nacional e global. Segundo ela, o Brasil atravessa um período de maior maturidade institucional e regulatória, o que amplia as oportunidades para o avanço da pesquisa clínica.
 
Meiruze reforçou a importância da articulação entre órgãos públicos, agências de fomento e setor produtivo, além da ampliação de parcerias capazes de estimular investimentos e geração de conhecimento na área da saúde. "Pesquisa clínica contempla investimentos de alto risco, que exigem base científica sólida, e o Estado entra como indutor dessa inovação", disse.
 
A diretora também ressaltou iniciativas do governo voltadas ao desenvolvimento da inovação no país, entre elas o Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde.
 
Claudiosvam Martins, coordenador de Pesquisa Clínica em Medicamentos e Produtos Biológicos (Copec) da Segunda Diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), afirmou que a agência busca atuar como facilitadora do desenvolvimento tecnológico nacional. Para tanto, segundo ele, a Agência vem ampliando sua capacidade regulatória e adotando medidas para reduzir filas de análise e estimular a inovação.
 
"Entre as ações estratégicas da Anvisa estão o fortalecimento da cooperação internacional, o avanço de normas estruturantes, a implementação de um plano para redução das filas de análise, o incentivo à inovação e a modernização da infraestrutura tecnológica da agência", detalhou.
 
CNPEM reforça parceria para ampliar produção nacional de IFA
 
Durante o evento, Claudia Caparelli, gerente de Inovação do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), destacou a parceria entre o Ministério da Saúde e o centro de pesquisa para o desenvolvimento de soluções voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). 
 
Para ela, a colaboração entre instituições públicas e a indústria farmacêutica pode fortalecer a produção nacional de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) e ampliar a autonomia tecnológica do país.
Segundo Pimentel, o desafio das empresas é encontrar mecanismos financeiros adequados ao estágio de inovação
BNDES e Finep apostam no ecossistema de inovação
 
No painel sobre financiamento à inovação, Vitor Pimentel, gerente setorial de Saúde do BNDES, e Lilian Simões, gerente de Investimentos em Fundos da Finep, defenderam o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) como estratégia para criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento científico e tecnológico.
 
Segundo Pimentel, o governo federal, especialmente por meio do BNDES, dispõe de uma ampla gama de instrumentos financeiros voltados ao apoio de empresas em diferentes estágios de maturidade tecnológica. Para ele, o principal desafio é fazer com que as companhias consigam identificar, dentro desse conjunto de alternativas, os mecanismos mais adequados às suas necessidades e ao estágio de desenvolvimento em que se encontram.
 
Ao comentar o evento, Rosana Mastellaro, diretora Técnico-Regulatória e de Inovação do Sindusfarma, destacou a relevância das discussões promovidas ao longo do encontro. 
 
“Foi um dia muito intenso, com muitas informações, possibilidade de networking e troca de experiências. Conhecemos projetos promissores e inovadores em pesquisa, além dos investimentos realizados por indústrias farmacêuticas, que também apresentaram como estão estruturadas e os desafios que enfrentam para desenvolver ou trazer inovação para o país”, afirmou.
 
Mandetta e Ana Amélia fecham o evento
 
Amanhã (22/05), o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, e a ex-senadora, Ana Amélia Lemos, estão entre os palestrantes do segundo dia do Workshop "Pesquisa Clínica: Inovação, Regulação e Pacientes".
 
Mandetta abrirá a programação com uma palestra sobre o papel do médico pesquisador na sociedade e a relevância da medicina baseada em evidências.
 
Ana Amélia, autora da Lei 14.874/2024, abordará a importância do acesso à inovação para os pacientes e os desafios para consolidar essa agenda no ambiente político.
 
 
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Notícia atualizada em 22/05/2026, às 17h30

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