Notícias

Compartilhe:
16/09/2024
Nova política industrial e CEIS querem promover inovação farmacêutica para o Brasil e o mundo

A nova política industrial brasileira, orientada por seis missões, entre elas a de “Acesso à Saúde”, pretende criar as condições para que indústrias farmacêuticas nacionais e internacionais instaladas no país desenvolvam no Brasil produtos inovadores para atender não somente às necessidades da população brasileira, mas também às necessidades do mundo. Esta foi a mensagem central transmitida por Carlos Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde; e por Carla Reis de Souza Neto, chefe do Departamento do Complexo Industrial e de Serviços de Saúde do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na 3ª Cúpula Brasileira de Inovação em Saúde.

Nelson Mussolini (Sindusfarma), Rosana Mastellaro (Sindusfarma), Renato Benine (Sindusfarma), Carla Reis de Souza Neto (BNDES), Carlos Gadelha (Ministério da Saúde), Eduardo Emrich (Biominas) e Isabela Allende (Biominas)

“Qualquer investimento público está dentro dessa estratégia de parceria, de fortalecer a produção nacional de capital nacional e de capital estrangeiro, com uma visão ampla de produzir no Brasil, de acreditar no Brasil e na saúde como um campo prioritário de desenvolvimento”, disse Gadelha.

“O caminho inevitável do setor [farmacêutico] é a inovação e a inovação é para o mundo; nosso mercado interno é um motor que deve e pode ser usado, [deve] orientar o desenvolvimento de produtos para as necessidades de nossa população, mas é necessário também olhar para fora”, afirmou Carla.

O secretário da SECTCIS do Ministério da Saúde definiu como a “joia” da Nova Indústria Brasil o programa de desenvolvimento de inovação local, que dá o mesmo status e a mesma importância para a transferência de tecnologia e para a inovação feita no Brasil. “Ninguém tem visão fechada, modelo fechado de inovação; a gente já aprendeu que quem não tem capacidade tecnológica, não tem transferência de tecnologia, não coopera. Então, não há essa dicotomia entre inovação local e inserção global”, afirmou Gadelha, concluindo: “Somos capazes de entrar no jogo global da inovação”.

Gadelha também falou do relançamento das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), focadas na transferência de tecnologias. Segundo ele, o programa fez com que mais de 20 insumos farmacêuticos fossem produzidos no Brasil. “Não me canso de falar que o enfrentamento da pandemia da Covid, a produção de vacinas da Fiocruz e do Butantan, foi baseado em parcerias com o setor produtivo privado. Ou seja, esse programa, que tem muito a ser melhorado, permitiu ao Brasil salvar 200 mil vidas. Não é pouco”.

A diretora do BNDES explicou que no Brasil e nas principais economias do mundo (EUA, União Europeia, China e Índia), a saúde tornou-se um setor estratégico das políticas industriais, por razões diversas: soberania e segurança nacional, promoção social e do acesso à saúde.

Seguindo essa tendência, o desafio tecnológico do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) é o de construir e acumular competências na produção de biossimilares e de estabelecer no país as bases de uma indústria de biotecnologia.

Redução de vulnerabilidades

Com foco na redução das vulnerabilidades do SUS, na área farmacêutica, o CEIS contempla a produção e oferta de hemoderivados, bioprodutos, medicamentos para doenças negligenciadas, cânceres de alta incidência, doenças cardiovasculares, diabetes, doenças raras, doenças crônicas e associadas ao envelhecimento.

Carla Reis informou que o programa “Mais Inovação” se tornou o “carro chefe” da atuação do BNDES, com dois objetivos principais: apoiar projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de novos produtos e apoiar as chamadas “plantas pioneiras”, projetos fabris em áreas onde essa produção ainda é incipiente no Brasil. “Na área de saúde temos trabalhado com os IFAs [insumos farmacêuticos ativos] e com as plantas de biotecnologia, dentro desse conceito [de plantas pioneiras]”, disse ela.

Para a indústria farmacêutica e de saúde, o BNDES já concedeu financiamentos de R$ 4 bilhões, no acumulado de janeiro de 2023 a julho de 2024, contemplando diretamente 12 empresas.

A diretora do BNDES também destacou a parceria da instituição com a Embrapii, que, segundo ela, é o hoje a principal forma de aplicação de recursos não reembolsáveis para o desenvolvimento tecnológico. E fez menção ao programa de aceleração de startups “BNDES Garagem”, que capacitou mais de 600 empresas nos últimos anos.

Fortalecimento da Anvisa

Gadelha disse que o fortalecimento da Anvisa é fundamental para o sucesso da estratégia do CEIS, uma política nacional que extrapola o Ministério da Saúde, envolvendo também Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; BNDES; Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; e Casa Civil. “Quanto mais integrada for [a Agência] dentro de uma estratégia, mais instrumentos para o fortalecimento da Anvisa vamos ter”, afirmou.

Leia também:

 

Notícia atualizada em 18/09/2024 às 13h

Voltar
Subir ao Topo